O esqui virou programa favorito de muitos brasileiros, mas a diversão pode acabar no consultório. Estudos internacionais estimam de 2 a 3 lesões a cada mil dias de prática. E o joelho leva a pior: de 27% a 41% dos casos envolvem rompimento do principal ligamento do joelho (conhecido como LCA).
“Grande parte das lesões pode ser evitada com medidas simples, que começam semanas antes de viajar”, afirma a ortopedista Camila Cohen Kaleka.
Lesões mais comuns e por que o joelho sofre
Giros bruscos, rotações forçadas e a torção do joelho quando o esqui prende na neve durante a queda explicam por que essa articulação é tão afetada. Entre esquiadores com trauma de joelho, quase metade tem lesão isolada do ligamento da frente do joelho.
Outros problemas frequentes incluem entorses de tornozelo, lesões de menisco, fraturas de tíbia e fíbula, contusões de ombro e a lesão no polegar típica do esquiador, causada por queda com a mão aberta. Neve dura, gelo, velocidade acima do nível de habilidade e equipamento mal regulado aumentam o risco, especialmente para quem esquia só uma vez por ano.
Como se preparar e reduzir riscos
O preparo começa antes do embarque e segue na montanha. Fortalecer coxas, glúteos e core, além de treinar equilíbrio e propriocepção, reduz a chance de torções. Quem já teve lesões no joelho ou tornozelo deve passar por avaliação ortopédica antes de voltar ao esporte.
- · Faça aquecimento antes de entrar na pista.
- · Cheque o ajuste das botas e das travas dos esquis.
- · Escolha pistas compatíveis com seu nível.
- · Respeite pausas e sinais de cansaço.
“Um ponto relevante é o cansaço: muitos acidentes ocorrem no final da tarde, ou no final da temporada, quando os músculos estão fatigados e a coordenação já não responde da mesma forma”, diz Kaleka.

Quando parar e procurar ajuda
Alguns sinais pedem avaliação médica imediata, mesmo que a equipe local já tenha feito os primeiros cuidados:
· Estalo com inchaço e dor no joelho.
· Deformidade após a queda.
· Dificuldade de apoiar o peso.
· Dor intensa no tornozelo.
· Perda de mobilidade no ombro.
“Alguns sinais indicam necessidade de avaliação: estalo acompanhado de inchaço e dor no joelho, deformidades após a queda, dificuldade de apoiar o peso, dor intensa no tornozelo ou perda de mobilidade no ombro”, reforça a ortopedista. Segundo ela, a maior parte dos casos pode esperar retorno ao Brasil para exames como ressonância. Já fraturas exigem atenção imediata. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a recuperação e o retorno seguro às atividades.
A reabilitação é decisiva: inclui fortalecimento progressivo, recuperação da mobilidade e readaptação funcional. O retorno ao esqui deve ser gradual e com liberação médica, sobretudo em lesões de ligamentos e menisco.
“Ao final, o esqui continua sendo uma experiência fascinante e acessível a todas as idades. A diferença está na preparação e na consciência de que o corpo precisa estar tão pronto quanto o equipamento”, conclui Kaleka.



