Mansur: “Allbirds não caiu. Ela foi desmentida”

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Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Marca cool, sustentável, omnichannel, dessas que sobem ao palco da NRF como se fossem a prova viva de que propósito e crescimento finalmente tinham aprendido a andar juntos. Em 2021, ela estava exatamente nesse lugar: vitrine do novo varejo.
O mercado comprou essa história com gosto.

E pagou caro. No embalo do IPO, a Allbirds estreou avaliada em cerca de US$ 3,3 bilhões e chegou perto de US$ 4 bilhões em valor de mercado. Era o tipo de empresa que fazia executivo suspirar e consultor montar keynote. Só que tem uma diferença brutal entre parecer o futuro e conseguir sobreviver a ele.

A marca encantava. O caixa não

Com o tempo, a narrativa começou a perder para a matemática. A empresa acumulou prejuízos, perdeu tração e, em março de 2026, anunciou a venda dos ativos da marca para a American Exchange Group por cerca de US$ 39 milhões. Vale repetir porque o número merece eco: de quase US$ 4 bilhões em bolsa para US$ 39 milhões em ativos.

Mas o melhor, ou pior, ainda estava por vir

O que sobrou da companhia listada resolveu tentar um pivô para infraestrutura de IA. Novo nome, NewBird AI. Nova narrativa. Nova fantasia. O plano anunciado envolve GPUs e computação. Então não, a marca Allbirds não “virou data center”. A marca foi vendida. O que restou foi a casca societária tentando colar no hype mais valioso do momento.

E é aí que o caso fica maior do que a própria Allbirds

Isso não é só a queda de uma marca. É o retrato de um mercado que troca de fé com velocidade constrangedora. Primeiro aplaudiu sustentabilidade, DTC e brand love. Depois cobrou margem. Quando a margem não apareceu, começou a aplaudir qualquer coisa com cheiro de IA.

O problema nunca foi investir em marca. O problema foi achar que marca carregaria sozinha o que o negócio não sustentava.

Muita empresa ainda comete esse erro. Confunde aplauso com vantagem competitiva. Confunde narrativa forte com modelo forte. Confunde valuation com solidez.

E não confunde por mal. Confunde porque, no auge do hype, quase todo mundo parece gênio. Até a conta chegar.

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