A mulher encontrada morta dentro de uma mala e com o corpo carbonizado no bairro de Manaíra, em João Pessoa, foi identificada, nesta sexta-feira (13), como Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, natural da França. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil da Paraíba como feminicídio.
De acordo com as investigações, o principal suspeito de assassinar a vítima foi o companheiro dela, Altamiro Rocha dos Santos, natural de Canoas, no Rio Grande do Sul. O homem foi posteriormente encontrado morto no bairro João Agripino, na capital paraibana, em um crime que também está sob apuração.
Segundo a polícia, o corpo de Chantal Dechaume foi localizado na noite de 10 de março, após ser deixado dentro de uma mala na Rua Francisco Brandão, em Manaíra. Câmeras de segurança registraram parte da movimentação envolvendo o suspeito.
As imagens mostram o momento em que o homem retira a mala com o corpo da vítima do apartamento e a deixa na calçada. Horas depois, conforme a investigação, um homem em situação de rua teria ateado fogo no corpo, supostamente após aceitar a ação em troca de drogas. Esse segundo suspeito ainda não foi localizado.
Cronologia do crime
As investigações reuniram registros de câmeras de segurança que ajudam a reconstituir a sequência de acontecimentos:
- 07/03 (sábado) – 17h35: Chantal sai do apartamento onde estava hospedada;
- 07/03 – 18h30: ela retorna ao local e não é mais vista saindo;
- 09/03 (segunda-feira) – 22h00: o companheiro sai do apartamento para comprar álcool;
- 09/03 – 22h16: ele retorna com um galão do produto;
- 10/03 (terça-feira) – 22h06: o homem sai do apartamento levando uma mala com o corpo da vítima;
- 10/03 – 22h36: a mala é deixada na calçada;
- 11/03 (quarta-feira) – 01h55: um homem em situação de rua ateia fogo no corpo.
Segundo o médico legista Flávio Fabres, do Instituto de Polícia Científica (IPC), a causa da morte foi golpes de objeto pontiagudo na região do tórax, o que indica que a vítima já estava morta antes de o corpo ser incendiado.
Moradores do prédio chegaram a relatar à Polícia Civil que um cheiro forte vinha do apartamento da estrangeira. O companheiro dela chegou a relatar que o odor vinha da queima de couro que ele utilizava para fazer artesanato.
Morte do suspeito
Na manhã de 12 de março, o corpo de Altamiro Rocha dos Santos foi encontrado no bairro João Agripino, também em João Pessoa. De acordo com a Polícia Civil, ele estava com as mãos e os pés amarrados e apresentava uma lesão profunda no pescoço.
A investigação trabalha com a hipótese de que a morte do homem possa estar relacionada a integrantes de uma facção criminosa, que teriam reagido ao fato de o crime ter chamado a atenção da polícia para a região. Até o momento, ninguém foi preso por esse segundo homicídio.
Histórico da vítima
Segundo o delegado, Chantal conheceu Altamiro na orla da capital, onde ela decidiu viver após se aposentar como enfermeira obstétrica. Ele comercializava objetos artesanais e ela começou a ajudá-lo. Na época da pandemia, a francesa o abrigou e, a partir de então, iniciaram um relacionamento. Vizinhos relataram que seria usuário de drogas e que isso se intensificou nos últimos dias.
Registros administrativos consultados da França indicam que Chantal atuava como enfermeira (infirmière) no município de Cournonsec, na região de Hérault, no sul do país. O cadastro profissional aparece vinculado a uma empresa individual registrada em 1982, com atividade classificada no código NAF 86.90D, que corresponde a “atividades de enfermeiros e parteiras”.
Esses registros indicam que a atividade profissional foi encerrada em abril de 2019, sugerindo que a vítima já estava aposentada.
A Polícia Civil da Paraíba considera que o crime contra Chantal Dechaume está esclarecido, apontando o companheiro como autor do homicídio. No entanto, um inquérito segue em andamento para apurar a morte de Altamiro Rocha dos Santos e identificar o homem que incendiou o corpo da vítima.
As autoridades também continuam investigando possíveis participações de terceiros e outras circunstâncias relacionadas ao caso.



