Hoje, a nossa série especial ‘Rostos da rua’ conta a história de uma mulher de 54 anos, que precisou sair de casa por sofrer agressões dos próprios filhos. Ela encontro na rua um refúgio para a paz, mas acabou se perdendo no vício.
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‘Eu bebia para dormir e acordava para beber.’
Sandra é uma mulher de 54 anos. No dia 19 de dezembro, perto do natal, Sandra decidiu deixar a casa, o marido e os três filhos em Vinhedo. A ação foi motivada por uma briga com um os filhos, que agrediu ela com um soco na boca. Sandra tinha uma prótese dentária, e foi quebrada pela brutalidade do próprio filho.
Cozinheira, ela vendia bolos e salgados para manter uma renda. Largou tudo para trás e foi embora com a roupa do corpo e um cartão de crédito, com o pouco que tinha das vendas.
Nas ruas, já em Campinas, ela conheceu o frio, a solidão e o desespero. A rua, antes de ser um recomeço, seria palco de outras batalhas. Sandra encontrou na bebida e na maconha um refúgio. Ela afirma que gastava cerca de R$20,00 por dia para manter o vício.
No pescoço, um tumor começou a crescer. O diagnóstico de câncer poderia ser o fim da linha de uma história conturbada. Mas, para Sandra, foi um recomeço. É nesse momento, onde foi cuidada pelos consultórios que auxiliam pessoas em situação de rua, que Sandra se sentiu amada e cuidada. Ponto de partida para uma nova vida.
Hoje, Sandra não mora mais na rua. Conseguiu alugar um cômodo em um lugar simples, e encontrou o que ela mais precisava: paz, um fogão e uma cama limpa.
O marido veio atrás dela em Campinas, localizou a esposa, e reataram o relacionamento.
Aos 54 anos, Sandra trabalha como faxineira, cuidadora e complementa a renda com vendas na rua.
O câncer foi retirado. O vício, vencido. E a dignidade, restaurada. Ela prova que o endereço pode mudar, e as cicatrízes permanecerem, mas a vontade de vencer é o que realmente define quem somos.







