A João Pessoa será palco, neste domingo (29), de um evento que destaca a resistência cultural e a valorização da capoeira angola. A atividade celebra os 25 anos de mestria de Mestre Lima e acontece a partir das 17h, na Praça da Família, no bairro de Mangabeira VII, reunindo capoeiristas, mestres e moradores da comunidade.
A programação inclui uma roda de capoeira, organizada pelo Grupo de Capoeira Angola Mandinga, coletivo fundado por Mestre Lima no início dos anos 2000. A iniciativa integra ações voltadas ao fortalecimento da cultura afro-brasileira e à ampliação da presença da capoeira em espaços públicos.
Segundo os organizadores, o encontro busca promover o intercâmbio entre gerações, reunindo praticantes de diferentes grupos e regiões, além de reforçar o papel da capoeira como patrimônio cultural e instrumento de transformação social.
Trajetória e reconhecimento
Com mais de quatro décadas de atuação, Mestre Lima, nome artístico de Ednaldo de Lima Alves, é considerado um dos pioneiros da capoeira na Paraíba. Ao longo de sua trajetória, atuou na formação de professores e contra-mestres, além de coordenar projetos sociais voltados a jovens em situação de vulnerabilidade.
Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio Berimbau de Ouro (2017), o título de Bambas do Ano e a Medalha Epitácio Pessoa, concedida pela Assembleia Legislativa da Paraíba em 2025. Em 2024, também foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares, em parceria com o Governo da Paraíba e o Ministério da Cultura.
O mestre iniciou sua trajetória na década de 1980, no bairro Castelo Branco, e participou da consolidação da capoeira no estado ao lado de nomes como Mestre Zunga e Mestre Guiné. Posteriormente, fundou o grupo Angola Mandinga, ampliando a difusão da prática na Paraíba e em outros países, como a França.
Encontro reúne mestres e comunidade
A roda comemorativa contará com a presença de mestres e representantes da cultura popular, como Mestre Zunga, Mestre Morcego, Mestre Baianinho, Mestre Robson, Mestra Tina, Mestre Ligeirinho e Contramestre Irica, além de participantes de outros estados, como Bahia e Ceará.
De acordo com o homenageado, o momento representa o reconhecimento de uma trajetória coletiva construída ao longo dos anos. “É um sentimento de gratidão pelos alunos, mestres e amigos que acompanham esse trabalho de divulgação e ensino da capoeira”, afirmou.
Capoeira como patrimônio cultural
A capoeira é reconhecida como uma das principais expressões da cultura afro-brasileira, com origens ligadas à resistência da população negra escravizada no Brasil. Em 2008, a roda de capoeira foi registrada como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e, posteriormente, reconhecida como patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO.
A proposta do evento, segundo os organizadores, é reafirmar a roda como um espaço de memória, troca de saberes e continuidade cultural, fortalecendo os vínculos entre mestres, alunos e comunidade.



