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Dia da Mentira: especialistas explicam por que crianças mentem e como pais devem agir

Comportamento faz parte do desenvolvimento infantil, mas exige orientação adequada dos adultos para evitar que se torne um problema

Foto: Frepik

Crianças começam a mentir por volta dos três ou quatro anos de idade, fase em que desenvolvem imaginação, linguagem e compreensão das regras sociais. No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, o tema costuma aparecer em tom de brincadeira, mas dentro das famílias a situação pode gerar preocupação quando os pequenos passam a negar fatos ou inventar histórias para evitar punições.

De acordo com a pedagoga Jacqueline Cappellano, mentir nessa fase não indica, na maioria dos casos, um problema de comportamento. Segundo ela, o ato de mentir representa um avanço no desenvolvimento cognitivo, porque demonstra que a criança já entende que pode manipular informações para obter algum benefício ou escapar de uma consequência.

A especialista explica que muitas mentiras surgem por medo da reação dos adultos, pela tentativa de agradar ou como extensão do universo imaginativo típico da infância. Nessa etapa, o “faz de conta” ainda faz parte do cotidiano, e nem sempre a criança consegue diferenciar claramente fantasia e realidade.

A forma como pais e responsáveis reagem quando descobrem a mentira influencia diretamente a repetição do comportamento. Cappellano orienta que adultos evitem punições severas ou humilhações, porque reações muito duras tendem a aumentar o medo e levar a criança a mentir novamente para se proteger. Em vez disso, ela recomenda manter a calma e transformar o episódio em um momento de aprendizado, explicando a importância da verdade e reforçando que todos cometem erros.

Em situações em que a criança conta histórias fantasiosas, como afirmar que viajou para a Disney no fim de semana, a orientação é acolher o relato e conduzir a conversa para ajudar a diferenciar imaginação e realidade, sem constrangimento. Essa postura, segundo a educadora, preserva a confiança e favorece o diálogo.

Outro ponto destacado pela especialista envolve o exemplo dado pelos adultos. Crianças observam comportamentos cotidianos e podem reproduzir atitudes vistas em casa, inclusive pequenas mentiras consideradas socialmente aceitáveis, como dizer que não está em casa para evitar uma visita. Ambientes familiares com diálogo aberto e relações baseadas em confiança tendem a reduzir a necessidade de mentiras como mecanismo de defesa.

Apesar de fazer parte do desenvolvimento infantil, a mentira pode exigir atenção quando se torna frequente, compulsiva ou prejudica outras pessoas. Histórias muito elaboradas e distantes da realidade também podem indicar dificuldades emocionais ou outras questões que precisam de acompanhamento profissional.

Nesses casos, Cappellano recomenda que a família busque orientação de um terapeuta infantil para avaliar a situação e orientar estratégias adequadas de acompanhamento. Segundo ela, um ambiente acolhedor e sem punições desproporcionais ajuda a criança a compreender o valor da honestidade e a se sentir segura para dizer a verdade.

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