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Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

Possíveis dramas de Pedro com a política e candidaturas

Observando-se os acontecimentos, a impressão registrada é que Pedro não disse um não puro e simples, tentou conciliar, mas sempre se esquivou do compromisso

Foto: Redes Sociais

A cada dia que passa vai ficando absolutamente esclarecido que o ex-deputado Pedro Cunha Lima só participará da campanha eleitoral deste ano se for forçado a tanto. O vazamento, nesta segunda-feira, de uma mensagem em grupo de WhatsApp do pai de Pedro, o ex-governador Cássio Cunha já indica uma decisão definitiva. Cássio chega a apelar que se respeite a opção do filho.


A posição de Pedro não é uma novidade. Em dezembro, o ex-parlamentar anunciou em suas redes sociais que não seria candidato. Antes, ainda lá no início de 2025, Pedro admitia, ao lado do senador Efraim Morais, que poderia ser candidato a governador ou a senador, porém, suas declarações sempre vinham acompanhadas da ressalva de que não tinha ambição pela candidatura e que poderia participar da campanha de outra forma, que se subtendia seria fomentando o debate.


Quando, em setembro, o prefeito Cícero Lucena se afastou do governador João Azevedo e se reaproximou do grupo Cunha, imediatamente, se espalhou que Pedro seria o candidato a vice-governador, mas, à rigor, não existem declarações suas nesse sentido. Mesmo em 30 de janeiro agora de 2026, quando formalizou publicamente o apoio a Cícero, Pedro admitiu genericamente ser o candidato a vice, todavia com a ressalva que haviam outros nomes para avaliação. Posteriormente, a cada entrevista Pedro foi deixando claro que gostaria de fazer o debate sobre educação, sem ser candidato.


Quais os problemas de Pedro com candidatura?Apesar de nascido e criado no seio de uma família apaixonada pela politica, com avô, tios e pai envolvidos quase que totalmente na atividade e de ter sido incensado no clã familiar com a ideia de sucessor, Pedro Cunha Lima nunca se jogou de cabeça nos projetos políticos. Experimentou, chegou por cima, já como deputado federal, um cargo ansiado nas oligarquias políticas ou grupos de interesses. Enfarou logo. Fez a disputa pelo governo do Estado em 2022, mas nunca deixou de repetir que candidaturas e cargos não eram tudo. Existiam outras formas de participação política.


Muitos não consideraram e ainda não consideram esse pensamento e posições de Pedro. Alguns avaliam que ele acabará se rendendo aos interesses da família como já ocorreu como muitos jovens aparentemente rebeldes em oligarquias políticas. Outros acreditam que Pedro não nutre aptidão pela política. Talvez não sejam muitos os que consideram que existe, de fato, um repúdio de sua parte ao modo de se fazer política no Brasil. Pois talvez esteja na hora de considerar que, na verdade, Pedro mantém, efetivamente, é uma linha de coerência de pensamento.
No caso da opção de ser candidato a vice-governador na chapa do prefeito Cícero Lucena, eram muitas as informações de bastidores no sentido de que Pedro a considerava uma incoerência com suas ideias e pensamentos formatados em sua atuação na Câmara dos Deputados e na campanha para governador.


Observando-se os acontecimentos, a impressão registrada é que Pedro não disse um não puro e simples, tentou conciliar, mas sempre se esquivou do compromisso. À rigor, nunca enganou. No conjunto, percebe-se que Pedro tem seguido o fluxo de sua concepção de vida e ideias sobre política. Os dramas de Pedro, no entanto, não devem ser apenas de pruridos políticos e até ideológicos. Parece haver também questões de ordem pragmática em suas decisões.Da mesma forma que categoricamente não assumiu o desejo de candidatar-se nas eleições deste ano, Pedro nunca descartou totalmente a possibilidade de disputar cargos políticos e de participar da vida pública, nesta ou noutras eleições.


Desse modo, é de se considerar a possibilidade de que Pedro esteja agindo com o objetivo de se preservar para projetos futuros ou especificamente nos quais ele seja protagonista. A aceitação da candidatura a vice-governador poderia o retirar do patamar de candidato a governador que chegou perto de vencer, uma vez que não pode se negar que o resultado das eleições de 2022 ainda paira simbolicamente de forma positiva sobre sua aura de liderança. Mesmo vencendo, a tendência seria o símbolo se dissolver. Ele seria apenas vice.


É preciso considerar ainda a possibilidade de derrota nas eleições. Neste caso, os efeitos negativos podem atingir toda a família. Uma coisa é a derrota na eleição para governador, o cargo político máximo do Estado; outra, é perder como candidato a vice. No primeiro caso, existe a polarização, o derrotado sempre fica com um pedaço de poder, o poder da oposição, um polo do poder político. Talvez Pedro esteja avaliando todos esses riscos.


E os projetos na área de educação? Bom, talvez Pedro nunca tenha acreditado que, no momento, sua contribuição se cingisse apenas ao campo do discurso e do debate.Uma verdade é que Pedro tem tentado, ao longo de anos, mostrar e provar que é um político diferente do que já se viu em sua família e no cenário babelesco nacional. Pelo visto, ele avança em seus propósitos, mas sempre aos trancos e contradições inerentes aos limites das do modelo oligárquico da política brasileira.

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