Cazuza nos deixou em julho de 1990, aos 32 anos, por complicações causadas pela AIDS. Mas seu legado para a música popular brasileira é eterno. E por isso hoje, no dia em que o poeta completaria 68 anos, não podemos deixar de prestigiar sua obra e seu talento, relembrando os 20 maiores sucessos desse artista genial.
Viva Cazuza!
O cantor e compositor carioca teve uma importância imensa para a nossa história e é um dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempos.
Cazuza nasceu Agenor de Miranda Araújo Neto, em 04 de abril de 1958. Filho do produtor musical João Araújo – fundador da gravadora Som Livre – sempre viveu em um ambiente muito musical. Sua mãe, Lucinha Araújo, teve uma breve carreira como cantora e chegou a lançar dois discos.
Dono de uma genialidade impressionante com as palavras e de uma voz e habilidade vocal inconfundíveis, Cazuza sempre foi um artista irreverente e cheio de personalidade. Sua vasta obra fala sobre as inquietações de uma geração e transcende o tempo.
Ele começou sua carreira em 1981, como vocalista do Barão Vermelho, uma das maiores bandas de rock do Brasil, responsável por popularizar o gênero no país durante a década de 80. Ao lado de Roberto Frejat, na época guitarrista do grupo, Cazuza compôs os maiores sucessos da banda e fez uma parceria e amizade que durou até os últimos dias de sua vida.
Em 1981, a banda já contava com o baterista Guto Goffi, o tecladista Maurício Barros, o baixista André Palmeira (o Dé), e o guitarrista Frejat, quando Cazuza foi apresentado por Leo Jaime para ocupar o posto de vocalista.
O primeiro show do Barão Vermelho aconteceu em novembro de 1981 e o primeiro disco – que levou o nome da banda – foi lançado no ano seguinte.
Das músicas mais importantes desse primeiro álbum, destaca-se uma das mais belas músicas já escritas na história da MPB – “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” (parceria de Cazuza e Frejat). E é por ela que a gente começa a nossa lista de sucessos de hoje.
1 – Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Cazuza e Frejat)
Quando a banda iniciou a turnê nacional de lançamento do disco, Caetano Veloso – que estava na plateia e já era um gigante da MPB – ficou encantado por essa música e pediu para que os meninos do Barão lhe ensinassem a canção para que ele a apresentasse em seus shows.
Caetano passou a noite estudando a canção e a apresentou no show que fez no Canecão no dia seguinte. A plateia veio abaixo e o baiano contou que a música era dos até então pouco conhecidos Cazuza e Frejat.
João Araújo, pai de Cazuza, que também estava na plateia e ainda não estava muito contente em apoiar a carreira do filho – mesmo com a insistência do produtor e do diretor da Som Livre, Ezequiel Neves e Guto Graça Mello – ficou impressionado e muito emocionado. Ali ele entendeu a explosão que era Cazuza.
A notícia de Caetano Veloso cantando a música de Cazuza e Frejat repercutiu nos jornais da época e o Brasil inteiro também entendeu a dimensão do Barão Vermelho.
O disco “Barão Vermelho 2” foi lançado em 1983 e trouxe outro imenso sucesso: “Pro Dia Nascer Feliz” – mais uma parceria de Cazuza e Frejat – mas o som da banda ainda não tocava nas rádios. Foi quando o já consagrado Ney Matogrosso foi assistir a um show dos meninos no Rio de Janeiro e ficou impressionado.
Ney falou para Ezequiel Neves: “Bota essa molecada na minha mão, que eu vou botar pra quebrar com eles!”. Foi então que Ney Matogrosso gravou “Pro Dia Nascer Feliz” no mesmo ano, em seu disco “Pois É”, fazendo com que o Barão Vermelho estourasse de vez para o público, a crítica e também nas rádios de todo o Brasil.
2 – Pro Dia Nascer Feliz (Cazuza e Frejat)
A repercussão foi tanta, que a banda foi convidada para compor a trilha sonora do filme “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues, em 1984, e o seu som se espalhou ainda mais pelo Brasil, tornando-se a canção um dos maiores sucessos da história do Barão.
Neste mesmo ano, o grupo lançou o terceiro disco, “Maior Abandonado”, conseguindo vender mais de 100 mil cópias em apenas seis meses e conquistando disco de ouro.
O álbum – considerado o melhor da banda, tanto pela crítica especializada como pelo público – traz grandes hits como a própria “Bete Balanço” ea música-título, além de “Por que a gente é Assim?”.
3 – Bete Balanço (Cazuza e Frejat)
4 – Maior Abandonado (Cazuza e Frejat)
5 – Por que a gente é Assim? (Cazuza, Frejat e Ezequiel Neves)
O Barão Vermelho ajudou a construir a cena de rock brasileira e Cazuza o jeito de cantar rock em português. Em 1985, o Barão Vermelho se apresentou com sucesso na histórica primeira edição do Rock in Rio, um dos maiores festivais musicais do mundo.
Acontece que – no auge da banda – em julho de 1985, durante os ensaios para o próximo álbum, Cazuza resolveu deixar o Barão para seguir carreira solo. Ele anunciou para os parceiros que achava que muita coisa do trabalho dele já não cabia mais em uma banda de rock. Frejat, Dé, Maurício e Guto ficaram desolados, mas decidiram continuar com o grupo.
O Barão Vermelho permanece na ativa até hoje – com alguns hiatos e pausas – e contou com Frejat nos vocais até 2017, quando ele anunciou sua saída definitiva para dedicar-se apenas à carreira solo, que já levava em paralelo desde 2001. Hoje, da formação original, ainda permanecem na banda Guto Goffi e Maurício Barros.
O primeiro disco solo de Cazuza foi lançado ainda em 1985: “Exagerado”, trazendo – além do mega sucesso da música-título, outro grande hit do artista: “Codinome Beija-Flor” (parceria também com Ezequiel e com Reinaldo Arias).
6 – Exagerado (Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni )
7 – Codinome Beija-Flor (Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias)
Os grandes amigos e parceiros Cazuza e Frejat ficaram um tempo sem se falar quando Cazu resolveu abandonar o Barão e ainda levar grande parte das suas parcerias – que entrariam para o próximo disco da banda – para o seu primeiro disco solo. Foi Ezequiel Neves quempromoveu o reencontro entre os amigos, que – com um abraço – selaram de volta a grande amizade e parceria que nunca acabou.
Em 1986, a cantora Bebel Gilberto – filha de Miúcha e João Gilberto e grande amiga de Cazuza – gravou uma composição de muito sucesso – dela em parceria com Cazuza e Dé Palmeira: “Preciso Dizer Que Te Amo”.
8 – Preciso Dizer Que Te Amo (Bebel Gilberto, Cazuza e Dé Palmeira)
Em 1987, Cazuza lançou seu segundo álbum solo – “Só Se For a Dois”, que conta com mais sucessos importantes de sua autoria:
9 – O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica) (Cazuza, Rogério Meanda e João Rebouças)
10 – Solidão que Nada (Cazuza, George Israel e Nilo Romero)
Ainda em 1987, Cazuza foi diagnosticado com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, uma doença do sistema imunológico humano, causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
A descoberta foi feita após o artista ser internado com pneumonia e submetido ao teste de HIV. Depois da segunda internação por conta dos problemas respiratórios decorrentes da AIDS, seus pais decidiram levar Cazuza para os Estados Unidos, para um possível tratamento mais efetivo contra a doença, ainda muito desconhecida no Brasil. O tratamento durou cerca de dois meses.
Cazuza foi a primeira personalidade brasileira a declarar publicamente que havia sido infectado pelo HIV, quando o assunto ainda era um tabu enorme. Esse ato de transparência ajudou muitas vítimas a lidarem melhor com a doença. De volta ao Brasil, ainda no mesmo ano, eleentrou em estúdio para a gravação de um novo disco.
Em 1988, já de volta, Cazuza lançou o seu disco de maior sucesso – “Ideologia” – que vendeu cerca de dois milhões de cópias e levou dois discos de diamantes. Este álbum conta imensos com sucessos como:
11 – Faz Parte do Meu Show (Cazuza e Renato Ladeira)
12 – Brasil (Cazuza, George Israel e Nilo Romero)
13 – Um Trem Para As Estrelas (Cazuza e Gilberto Gil)
14 – Blues da Piedade (Cazuza e Frejat)
15 – Ideologia (Cazuza e Frejat)
Ainda em 1988, o artista lançou o álbum duplo “Burguesia”, que traz mais sucessos:
16 – Burguesia (Cazuza, George Israel e Ezequiel Neves)
17 – Mulher Sem Razão (Cazuza, Bebel Gilberto e Dé Palmeira)
No mesmo ano, Cazuza lançou ainda o disco ao vivo “O Tempo Não Pára” – último álbum lançado com o cantor ainda em vida – que traz vários sucessos de sua carreira, além da faixa-título inédita, em que retrata exatamente o momento que estava vivendo:
18 – O Tempo Não Pára (Cazuza)
Em outubro de 1989, depois de quatro meses fazendo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990, quando voltou para o Rio de Janeiro.
No dia 7 de julho de 1990, o artista teve um choque séptico, complicação causada pela AIDS, e não resistiu. Após sua morte, seus pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, que teve como objetivo proporcionar uma vida melhor a crianças soropositivas, por meio de assistência à saúde, educação e lazer.
A perda de Cazuza foi uma dor muito grande para o Brasil inteiro e, principalmente, para os amigos do Barão Vermelho. Sua partida precoce não impediu Cazuza de tornar-se um dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempos.
No ano seguinte à sua morte, foi lançado o álbum póstumo “Por Aí”, Com músicas que ficaram de fora do seu último disco de estúdio, “Burguesia”.
Já em 1994, Cássia Eller, gravou o super hit “Malandragem”, composição de Cazuza e Frejat, sucesso responsável por alavancar de vez a carreira da cantora. A música havia sido feita para Angela Ro Ro, seis anos antes, mas Ângela não aceitou gravar a música, dizendo que a letra não tinha nada a ver com ela.
Quando Cássia surgiu no cenário musical, os compositores acharam que a canção também era a cara da cantora e a ofereceram à ela, que prontamente aceitou e a transformou em um grande sucesso, fazendo as vendas do seu disco chegarem a 160.000 cópias.
19 – Malandragem (Cazuza e Frejat)
Outra música de Cazuza tornou-se um imenso sucesso mesmo anos depois de sua morte. Na verdade, ela ainda não era nem uma música. Aos 17 anos, o artista escreveu um bilhetinho para a sua avó, em forma de poema.
Anos depois, a mãe de Cazuza encontrou este poema guardado em uma gaveta e entregou para que o grande parceiro de seu filho – Frejat – o musicasse. O resultado foi um dos maiores sucessos da história da música brasileira de todos os tempos: “Poema“, eternizado na voz de outro grande parceiro de vida de Cazuza: Ney Matogrosso, em 1998.
20 – Poema (Cazuza e Frejat)
Cazuza era tão genial, que seguiu nos apresentando sucessos, mesmo depois de sua partida. Viva Cazuza!


