Sim! Não foi apenas Carmen Miranda que conquistou o Brasil – e o mundo! – com a sua voz e talento. Outra integrante de sua família também fez muito sucesso durante a década de 30 e 40: estamos falando da também cantora e atriz Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, outra estrela da chamada“Era do Rádio” no Brasil e também de Hollywood.
Quem foi Aurora Miranda
Carmen Miranda nasceu em Portugal em 1909, mas se mudou para o Brasil com a família quando tinha menos de um ano de idade, quando instalaram-se no Rio de Janeiro. Foi em 20 de abril de 1915 – seis anos depois – que nasceu Aurora Miranda, já na cidade carioca.
Desde pequena, Aurora – como a irmã – já gostava de cantar em casa, alegrando os frequentadores da pensão que sua mãe dirigia. Antes de completar 18 anos, a pedido do compositor e violonista Josué de Barros – que lançou Carmen Miranda ao estrelato – Aurora Miranda cantou em uma apresentação na Rádio Mayrink Veiga. O sucesso foi tanto que a levou a se apresentar no “Programa Casé”, na Rádio Philips.
Em 1933, a artista gravou seu primeiro disco, pela gravadora Odeon, em dupla com o cantor e compositor Francisco Alves – outro grande nome do rádio – cantando a marcha “Cai, cai, Balão“ (de Assis Valente) e o samba “Toque de Amor” (de Floriano Ribeiro de Pinho).
O disco fez muito sucesso e – no mês seguinte, novamente com Francisco Alves – Aurora Miranda lançou pela mesma gravadora o fox-trot “Você só… Mente” (de Noel Rosa e Hélio Rosa), que se transformou também em grande sucesso.
Em 1934, Aurora começou a cantar em dupla com Carmen Miranda, apresentando-se na Rádio Record e no Teatro Santana, em São Paulo. Nesse mesmo ano, ela fez sucesso com o samba “Sem você” (de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o samba-canção “Moreno cor de bronze” (de Custódio Mesquita).
Seu maior sucesso, no entanto, foi a marcha “Cidade Maravilhosa”, em dueto com o autor da canção, André Filho. A música obteve o segundo lugar no concurso oficial de Carnaval de 1935 e, em 1960, se tornou o hino oficial do antigo Estado da Guanabara. É até hoje o hino não oficial do Rio de Janeiro.
Em 1937, Aurora Miranda excursionou com a irmã para a Argentina e o Uruguai, apresentando-se acompanhadas pelo antológico Bando da Lua.
Sucesso também no cinema
A irmã de Carmen Miranda estreou no cinema em 1935, trabalhando no filme “Alô, Alô, Brasil”, dirigido por Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual cantou “Cidade Maravilhosa” e “Ladrãozinho”.
Já no filme “Alô, Alô, Carnaval”, de 1936, dirigido por Ademar Gonzaga, Aurora Miranda cantou em dupla com a irmã e acompanhada pela Orquestra de Simon Bountman, a marcha “Cantores de Rádio” (de João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro), outro grande sucesso que ajudou a eternizar.
No mesmo filme, interpretou sozinha, com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda, o samba “Molha o Pano” (Getúlio Marinho e A. Vasconcelos).
Aurora mudou-se para os Estados Unidos na década de 1940 – junto com Carmen Miranda que traçou uma carreira meteórica por lá. O primeiro papel da irmã caçula no cinema americano foi como Estela Monteiro em “A Dama Fantasma”, em 1944.
No mesmo ano, fez participações especiais nos filmes estadunidenses “The Conspirators” e “Brazil”, este último fez de Ary Barroso o primeiro brasileiro indicado ao Oscar, pela canção “Rio de Janeiro”.
No desenho animado“The Three Caballeros”, de 1944, interpretou a baiana Iaiá, cantando “Os Quindins de Iaiá” (de Ary Barroso) e atuando ao lado do Pato Donald e seus amigos, Zé Carioca e Panchito, quando eles conhecem a América em um tapete voador.
Aurora Miranda foi a primeira artista a interagir com desenhos animados em uma produção da Walt Disney. Sua última aparição em um filme americano foi em “Tell It to a Star”, de 1945, dirigido por Frank McDonald.
Carreira curta e próspera, vida longa e longe dos holofotes
Após retornar ao Brasil em 1952 – depois de 12 anos nos EUA – Aurora Miranda participou do show “Mr. Samba”, de Carlos Machado, em homenagem a Ary Barroso. No mesmo ano, regravou em LP oito antigos sucessos seus e lançou dois discos pela Odeon, encerrando sua marcante carreira, na qual deixou gravados 81 discos e 161 músicas.
Foi uma das cantoras que mais discos gravou na década de 1930, apenas atrás de sua irmã Carmen Miranda.
Décadas depois, em 1989, Aurora fez uma participação especial no filme brasileiro “Dias Melhores Virão”, de Cacá Diegues, onde cantou “Você só… Mente” (de Noel Rosa e Hélio Rosa) ao lado de Francisco Alves.
Em 1994, regravou com o cantor Sílvio Caldas o samba“Quando eu penso na Bahia” (de Ary Barroso e Luís Peixoto), um dueto lançado no CD “Songbook Ary Barroso”. No ano seguinte, apresentou-se em um espetáculo promovido pelo Lincoln Center, em Nova Iorque, em homenagem a sua irmã Carmen Miranda, falecida precocemente, em 1955, aos 46 anos.
Aurora Miranda faleceu em dezembro de 2005, no bairro carioca do Leblon, aos 90 anos de idade. O jornalistaTom Philips, em seu obituário para o jornal inglês The Guardian, afirmou que Aurora“personificou o espírito do Rio”.




