Babu Santana e o legado do swing e da resistência

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Babu Santana é uma figura central para entender a conexão entre a atuação e a cultura Black Rio. A curiosidade mais emblemática de sua carreira foi a sua preparação hercúlea para interpretar Tim Maia nos cinemas.

Babu não apenas emulou a voz do “Síndico”, mas mergulhou profundamente na técnica de respiração e no timing rítmico que Tim trouxe dos Estados Unidos. Babu é, ele próprio, um entusiasta da música negra, tendo sua própria banda, a “Babu Santana e os Paizões”, onde explora o soul, o funk e o samba-rock.

Ele carrega a herança do Vidigal e do grupo “Nós do Morro”, mostrando que a favela é um centro de formação artística onde o teatro e a música caminham de mãos dadas para forjar identidades inquebráveis.

Outra curiosidade fascinante sobre Babu é o seu papel como disseminador da cultura do samba-rock e da black music para as massas através da televisão. Ele utiliza sua visibilidade para pautar temas como o racismo estrutural e a valorização da estética negra, sempre com um fundo musical em suas falas e projetos.

Babu é um mestre em entender o “swing” brasileiro, aquela batida que fica entre o samba e o funk, e que define a dança nos bailes de subúrbio. Ele provou que um ator negro de porte físico grande pode ser um ícone de sensibilidade e ritmo, quebrando estereótipos de brutalidade para assumir o papel de um artista completo, que canta as dores e as alegrias de seu povo com uma voz que ressoa como um trovão de verdade.

Babu também é um grande entusiasta da culinária e da cultura doméstica, vendo no ato de cozinhar uma forma de ritmo e harmonia, quase como compor uma canção.

Essa visão holística da arte faz dele um personagem único no cenário brasileiro. Ele nos ensinou que a resistência negra pode ser feita com um sorriso, uma boa comida e um vinil de James Brown girando na vitrola.

Sua trajetória é um exemplo de que o talento negro brasileiro é resiliente e multifacetado. Ao vermos Babu Santana no palco ou na tela, estamos vendo décadas de história de luta por espaço e reconhecimento, tudo regado a muito suor, talento e, acima de tudo, um balanço que ninguém consegue copiar.

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