Dormir pouco não traz apenas o cansaço do dia seguinte. Segundo evidências científicas citadas pelo urologista Marcos Tobias Machado, a privação de sono pode mexer diretamente com os hormônios masculinos, especialmente a testosterona, com impacto na saúde física, mental e sexual.
“Mesmo períodos curtos de sono insuficiente já são capazes de provocar alterações mensuráveis no organismo”, afirma o médico. Ele lembra que a testosterona vai além da vida sexual: influencia libido, ereção, energia, humor, força muscular, saúde óssea e metabolismo. Quando o descanso falha, esse conjunto pode entrar em desequilíbrio.
O que o sono profundo tem a ver com o hormônio masculino
De acordo com o artigo, a maior parte da produção de testosterona acontece durante o sono profundo, especialmente nas fases iniciais da noite e no sono REM. Quando a pessoa dorme poucas horas ou tem um sono fragmentado, o corpo pode não completar os ciclos necessários para a liberação hormonal adequada.
Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) é citado como exemplo: homens jovens e saudáveis que dormiram apenas cinco horas por noite durante uma semana tiveram queda de 10% a 15% nos níveis de testosterona, além de piora do humor, da vitalidade e da energia. Para o médico, o recado é claro: “Uma única semana de sono ruim já é suficiente para alterar o equilíbrio hormonal”.
O texto também aponta que o sono ajuda a regular o eixo que controla a produção hormonal. Quando esse sistema é prejudicado, pode haver redução da liberação do hormônio luteinizante, responsável por estimular os testículos a produzirem testosterona. Ao mesmo tempo, ocorre aumento do cortisol, ligado ao estresse, e maior inflamação sistêmica, combinação considerada negativa para a saúde masculina.

Ronco e apneia: quando a queda pode ser persistente
Outro alerta é para a apneia obstrutiva do sono, condição em que a respiração falha repetidas vezes durante a noite. O médico afirma que homens com apneia frequentemente apresentam níveis consistentemente baixos de testosterona.
No artigo, ele destaca sinais que não devem ser ignorados:
- · roncos intensos
- · despertares frequentes
- · sensação de cansaço ao acordar
- · sonolência durante o dia
Nesses casos, o tratamento adequado, como o uso de CPAP ou outras estratégias para melhorar a qualidade do sono, pode ajudar a restaurar parcialmente a função hormonal e melhorar a qualidade de vida. O texto reforça que o problema não é só dormir menos, mas ter o sono interrompido continuamente, o que impede o corpo de chegar às fases profundas ligadas à produção hormonal.
Para preservar a testosterona de forma natural, o médico recomenda medidas consideradas simples, mas decisivas, como dormir entre sete e nove horas por noite, manter horários regulares, reduzir a exposição a telas antes de dormir e praticar atividade física.
“Dormir bem não é luxo. É tratamento preventivo”, conclui. Ele também destaca que o acompanhamento com urologista ou endocrinologista pode ser importante, principalmente quando os sintomas persistem e quando as intervenções para melhorar o sono não trazem melhora significativa nos níveis de testosterona.



