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Heródoto Barbeiro: “Finalmente, fora do poder”

O velho líder apresenta sinais de que não tem mais a popularidade de outros tempos. As pesquisas eleitorais apontam para uma pequena queda na sua avaliação pelos eleitores. Pequena, porém constante. Isso não faz com que ele desanime e deixe de tentar, mais uma vez, se reeleger e comandar o país.

Já está no poder há 16 anos graças a sua habilidade de dizer o que o povo gosta de ouvir e a sua presença constante no noticiário internacional. Não esconde suas críticas aos Estados Unidos e carícias na Rússia de Vladimir Putin. Considera-se quase como um renovador dos antigos tempos da Guerra Fria. Promete, se reeleito, buscar aproximação com os países do Brics e aumentar a oferta de petróleo e gás para todos.

O combustível tem aumentado de preço no país desde a invasão da Croácia por tropas russas. O velho líder em nenhum momento critica abertamente a violação da soberania de uma nação. Omite-se quando se trata de criticar adversários do presidente americano.

Depois de anos de governo, o líder sabe como usar a máquina pública para se manter no poder por mais um mandato. Usa, abusa e impõe censura na mídia estatal, uma ferramenta que, acredita, vai manter os votos da população à continuidade do seu projeto de poder.

A oposição recorre às mídias sociais com eficiência e procura mostrar que o governo é arcaico, de ideias velhas e mais compatíveis com o século passado. É hora de mudar, diz a campanha da oposição. Chega de repetir os mesmos erros que afundam o país em endividamento e não é capaz de melhorar a vida dos pagadores de impostos.

Há ainda quem acredite que o partido no poder tem uma “carta no bolso” e na hora do voto vai mostrar e conquistar mais uma reeleição. O velho político não larga o osso.

Acredita que ainda tem a mesma força de convencimento que tinha quando iniciou uma caminhada de 16 anos de posse do poder. As pesquisas apontam um empate técnico e isso, ao invés de enfraquecer a oposição, a fortalece. O que vai dar?

O processo eleitoral é ríspido e as manifestações de lado a lado se sucedem, principalmente na capital do país. Há suspeita de que Rússia e Estados Unidos apoiam seus candidatos.

O velho autocrata Viktor Orbán lança mão de todo o poder para continuar dirigindo a Hungria. Vez por outra ameaça votar contra decisões da União Europeia, especialmente quando há represálias contra o invasor russo da Ucrânia. Espalha que vai abrir os dutos que atravessam o país vizinho e permitir que petróleo e gás originários da terra de Putin cheguem mais baratos para os cidadãos húngaros.

A extrema direita se sente fortalecida. Porém o centro tem um candidato jovem, moderado e apoiador do Ocidente: Péter Magyar. Sua campanha é baseada em uma mudança no velho modelo que lembra o que sobrou da antiga União Soviética.

Nem a invasão de Budapeste pelos tanques soviéticos em 1956 é esquecida. A polarização entre candidatos é direta, assertiva, clara e definitiva. O povo opta por Magyar e Orbán sai da cena política húngara.

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