O Brasil celebra, em 23 de abril, o Dia Nacional do Choro. A data foi escolhida a partir da crença de que este seria o aniversário de um dos maiores nomes da música popular brasileira e figura central na consolidação do choro como linguagem musical: Pixinguinha.
A celebração foi instituída oficialmente no ano 2000, por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e dos alunos da Escola de Choro Raphael Rabello. Mais tarde, descobriu-se que Pixinguinha teria nascido em 4 de maio de 1897, mas a data de abril permaneceu como símbolo de homenagem a um gênero que ajudou a definir a identidade musical do país.
O choro é considerado a primeira música urbana tipicamente brasileira. Nascido da mistura entre influências africanas – como o lundu – e gêneros europeus, ele se consolidou no fim do século XIX, especialmente nas rodas, quintais e espaços populares do Rio de Janeiro.
Com formações instrumentais que começaram com flauta, violão e cavaquinho, o gênero foi se expandindo com a incorporação de novos instrumentos, além de uma linguagem baseada na improvisação, na virtuosidade e no diálogo entre músicos. Chorões e choronas transformaram a música importada dos salões da elite em algo profundamente brasileiro.
Nesse contexto, Pixinguinha surge como figura decisiva. Filho de um flautista amador que promovia encontros musicais em casa, ele cresceu cercado por partituras e rodas de choro. Ainda jovem, estudou com Irineu de Almeida e rapidamente se destacou como instrumentista, compositor e arranjador.
Ao longo da carreira, organizou grupos fundamentais como o Caxangá e o Oito Batutas, ajudando a projetar o choro e a música brasileira dentro e fora do país. Mais do que isso: consolidou uma forma de escrever, tocar e pensar música que ampliou os limites do gênero.
Mesmo enfrentando críticas em sua época – especialmente por obras consideradas inovadoras demais (na verdade brilhantes demais!), com suposta influência do jazz – Pixinguinha construiu um repertório que hoje é reconhecido como um dos mais importantes da música brasileira.
Pixinguinha foi mais do que um compositor: foi um arquiteto da música brasileira. Sua obra atravessa o tempo como referência de invenção, sofisticação e identidade.
Do choro às gravações históricas, das rodas populares às transformações da indústria musical, sua trajetória ajudou a definir o que entendemos hoje como música popular brasileira.
Não por acaso, seu nome segue como símbolo maior do gênero e o Dia Nacional do Choro, celebrado em 23 de abril, é também uma celebração da sua permanência e legado.
Entre seus maiores clássicos, estão choros que atravessam gerações e seguem vivos no imaginário musical do país. Vamos lembrar alguns deles?
1 – Carinhoso (1917 / 1937)
Composto por Pixinguinha inicialmente como choro instrumental, em 1928, foi considerado ousado demais e recebeu críticas de que soava “jazzístico”. Ganhou nova vida em 1937, quando João de Barroescreveu letra e Orlando Silva imortalizou a canção. Tornou-se o maior clássico de Pixinguinha e uma das músicas mais regravadas da história do Brasil.
Confira a história completa da música “Carinhoso” nesta matéria especial.
2 – Lamentos (1928)
Na época de seu lançamento, foi alvo de críticas que acusavam Pixinguinha de misturar jazz com choro. Décadas depois, seria reconhecida como uma das obras-primas do gênero, marcada por sofisticação melódica e arranjo inovador.
3 – Rosa (1917)
Originalmente chamada de “Evocação”, recebeu versos de Otávio de Souza. Gravada no mesmo disco que relançou “Carinhoso”, tornou-se uma das mais delicadas e emocionantes criações de Pixinguinha, presença obrigatória em qualquer antologia da música brasileira.
Confira a história completa da música “Rosa” nesta matéria especial.
4 – Um a Zero (1919)
Um hino à vitória da seleção brasileira sobre o Uruguai noCampeonato Sul-Americano, do qual o nosso time foi o campeão. Vibrante e festivo, foi um dos primeiros grandes sucessos de Pixinguinha e ainda hoje simboliza o encontro entre choro e futebol.
5 – Naquele Tempo (1934)
Peça que revela o refinamento precoce do compositor, com forte senso melódico e estrutura elegante. Lançado em 1934, por Luperce Miranda.
6 – Ingênuo (1947)
Registrado na fase de ouro da parceria com Benedito Lacerda, “Ingênuo” é apontado pelo próprio Pixinguinha como seu choro favorito. Uma pérola!
7 – Segura Ele (1930)
Composto no início da década de 1930, período de intensa atividade como arranjador da RCA Victor, mostra a vitalidade e o humor de Pixinguinha em ritmo acelerado e contagiante.
8 – Cinco Companheiros (1942)
Última gravação de Pixinguinha na flauta antes de se dedicar ao saxofone tenor. A obra voltou à cena no LP “5 Companheiros – Pixinguinha e os chorões daquele tempo” (1958), reafirmando sua importância.
Confira aqui a história completa sobre a vida e a obra de Pixinguinha, no original Arquivo Novabrasil, uma verdadeira enciclopédia da música brasileira:


