O que acontece quando o Afrobeat encontra o Brasil?

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Você conhece o Afrobeat?

Uma combinação de música iorubá, jazz, highlife e funk, fundida com estilos vocais, percussão e  ritmos nativos africanos, o Afrobeat nasceu na Nigéria e foi criado pelo  genial multi-instrumentista, compositor, ativista político e dos direitos humanos nigeriano Fela Kuti. 

Caracterizado também por ser energético, empolgante e ter alta velocidade – com percussão polirrítmica, improvisação e repetições rítmicas – é bastante conhecido pelas Big Bands: um grande grupo de músicos tocando vários instrumentos.

Popularizado em África na década de 1970 e também atravessado por seu contexto político – quando atravessou o Atlântico e chegou no Brasil – o Afrobeat encontrou um corpo dançante que já sabia os seus caminhos, tornando-se um ritmo com “molho brasileiro”.

Hoje, vamos conhecer cinco faixas essenciais para entender o Afrobeat no Brasil.

1 – Marku Ribas – Barrankeiro

Nos anos 70, o cantor, compositor e percussionista mineiro Marku Ribas viveu na África e trocou figurinhas com o próprio Fela Kuti. “Barrankeiro” é o que ele chama de “samba-soul-mantra”, um Afrobeat mineiro e orgânico, onde o violão percussivo faz o papel da orquestra inteira. A faixa foi lançada no álbum de mesmo nome, em 1978.

2 – Bixiga 70 – Grito de Paz

Dando um salto para São Paulo dos anos 2000, a big band Bixiga 70 – arquitetos do renascimento do gênero no Brasil – lançou, em 2011, a canção “Grito de Paz” (composição de Ben Lamar e Maurício Fleury) que tem a força das big bands, mastigada pela antropofagia paulista, misturando o asfalto, o dub e a energia dos terreiros.

3 – Criolo – Bogotá

Quem disse que Afrobeat não combina com rap? Em “Bogotá” – lançada no álbum “Nó na Orelha”, de 2011 – o rapper paulistano Criolo provou que o groove hipnótico nigeriano é a base perfeita para a crônica social. É a prova de que a polirritmia de Fela Kuti também bate forte no coração da favela brasileira.

4 – Metá Metá – Orunmilá

Metá Metá leva o som para um lado visceral. Na faixa “Orunmilá”, a banda paulistana formada porJuçara Marçal (vocais),Kiko Dinucci (guitarra) e Thiago França (saxofone) funde o Afrobeat com o jazz livre e a crueza do punk. É um som espiritual e cortante, que usa a base de Fela Kuti para saudar os orixás, com uma energia sem igual. Composta por  Kiko Dinucci e Douglas Germano, para o álbum “Metal Metal”, de 2012.

5 – Funmilayo Afrobeat Orquestra – Gentleman

A Funmilayo Afrobeat Orquestra é a primeira banda de afrobeat no mundo formada 100% por pessoas negras fora de África. Concebido em 2019, o projeto surgiu do incômodo da cantora e saxofonista Stela Nesrine e da trompetista Larissa Oliveira ao perceberem a ausência de um grupo de Afrobeat formado e idealizado por mulheres negras, que tocassem esse estilo essencialmente negro. 

O nome do conjunto homenageia Funmilayo Anikulapo Kuti, pioneira na luta das mulheres nigerianas por liberdade, direito ao voto e justiça social, e mãe de Fela Kuti.

“Gentleman” é uma releitura de um clássico de Fela Kuti e mostra que o Afrobeat brasileiro hoje é sinônimo de protagonismo, luta e técnica impecável.

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