Transplante de medula óssea é retomado na PB e 1º procedimento será concluído nesta terça (28)

A retomada do serviço foi oficializada na última semana, durante solenidade que reuniu representantes do Ministério da Saúde

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Paraíba voltou a realizar transplantes de medula óssea (TMO) pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com a retomada do serviço no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. O avanço no atendimento à saúde será marcado, nesta terça-feira (28), pela próxima etapa do primeiro procedimento iniciado na unidade, quando o paciente receberá as células-tronco coletadas.

A retomada do serviço foi oficializada na última semana, durante solenidade que reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba e autoridades políticas. O procedimento atende, principalmente, pacientes com leucemia, que anteriormente precisavam ser encaminhados para outros estados, como o Rio Grande do Norte, devido à ausência desse tipo de tratamento na rede local.

O primeiro paciente atendido é um homem de 58 anos, natural de Juripiranga, que já estava internado no hospital. A etapa inicial consistiu na coleta de células-tronco, processo que durou entre três e quatro horas. Segundo o médico hematologista Rodolfo Soares, o material já foi armazenado e passará por validação antes da reinfusão.

“Esse transplante já está programado para a próxima terça-feira (28), quando ele vai receber de volta essa medula e aguardar o tempo de recuperação”, explicou o especialista, acrescentando que outros pacientes estão em preparação para o procedimento nos próximos dias.

A expectativa do hospital é realizar, até o fim de 2026, cerca de oito transplantes por mês. Além disso, a unidade trabalha para iniciar, em um prazo de 60 a 90 dias, o transplante alogênico, modalidade mais complexa em que a medula é proveniente de um doador.

De acordo com o diretor-geral do hospital, Marcílio Cartaxo, o procedimento apresenta índices de cura que podem chegar a 90%, representando um avanço significativo no tratamento oncológico no estado. “O paciente agora tem um lugar para fazer o seu transplante de medula perto de casa”, afirmou.

Estrutura e investimento

Para viabilizar a retomada do serviço, o hospital passou por adaptações estruturais, incluindo a criação de leitos específicos e ambientes controlados, voltados ao atendimento de pacientes imunossuprimidos. Segundo o presidente da Fundação Napoleão Laureano, Marcelo Lucena, o investimento ultrapassou R$ 3 milhões, com recursos estaduais, federais e emendas parlamentares.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado e o Governo Federal, e deve contribuir para a redução de custos com deslocamentos de pacientes e familiares, além de ampliar o acesso ao tratamento especializado.

Representantes do Ministério da Saúde destacaram que a implantação de centros de TMO nos estados reduz despesas com transporte e hospedagem de pacientes que antes precisavam viajar para outras regiões. Além disso, a presença do serviço tende a estimular a doação de medula óssea, ampliando as chances de compatibilidade para quem aguarda transplante.

A retomada do procedimento também está alinhada às políticas de fortalecimento da atenção especializada no país, com foco na redução do tempo de espera e na descentralização dos serviços de alta complexidade.

Além do retorno dos transplantes, o hospital apresentou recentemente o robô cirúrgico Da Vinci Xi, utilizado em procedimentos minimamente invasivos. A tecnologia permite maior precisão, visão ampliada e redução de riscos, contribuindo para recuperações mais rápidas e menor tempo de internação.

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