A Paraíba voltou a realizar transplantes de medula óssea (TMO) pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com a retomada do serviço no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. O avanço no atendimento à saúde será marcado, nesta terça-feira (28), pela próxima etapa do primeiro procedimento iniciado na unidade, quando o paciente receberá as células-tronco coletadas.
A retomada do serviço foi oficializada na última semana, durante solenidade que reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba e autoridades políticas. O procedimento atende, principalmente, pacientes com leucemia, que anteriormente precisavam ser encaminhados para outros estados, como o Rio Grande do Norte, devido à ausência desse tipo de tratamento na rede local.
O primeiro paciente atendido é um homem de 58 anos, natural de Juripiranga, que já estava internado no hospital. A etapa inicial consistiu na coleta de células-tronco, processo que durou entre três e quatro horas. Segundo o médico hematologista Rodolfo Soares, o material já foi armazenado e passará por validação antes da reinfusão.
“Esse transplante já está programado para a próxima terça-feira (28), quando ele vai receber de volta essa medula e aguardar o tempo de recuperação”, explicou o especialista, acrescentando que outros pacientes estão em preparação para o procedimento nos próximos dias.
A expectativa do hospital é realizar, até o fim de 2026, cerca de oito transplantes por mês. Além disso, a unidade trabalha para iniciar, em um prazo de 60 a 90 dias, o transplante alogênico, modalidade mais complexa em que a medula é proveniente de um doador.
De acordo com o diretor-geral do hospital, Marcílio Cartaxo, o procedimento apresenta índices de cura que podem chegar a 90%, representando um avanço significativo no tratamento oncológico no estado. “O paciente agora tem um lugar para fazer o seu transplante de medula perto de casa”, afirmou.
Estrutura e investimento
Para viabilizar a retomada do serviço, o hospital passou por adaptações estruturais, incluindo a criação de leitos específicos e ambientes controlados, voltados ao atendimento de pacientes imunossuprimidos. Segundo o presidente da Fundação Napoleão Laureano, Marcelo Lucena, o investimento ultrapassou R$ 3 milhões, com recursos estaduais, federais e emendas parlamentares.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado e o Governo Federal, e deve contribuir para a redução de custos com deslocamentos de pacientes e familiares, além de ampliar o acesso ao tratamento especializado.
Representantes do Ministério da Saúde destacaram que a implantação de centros de TMO nos estados reduz despesas com transporte e hospedagem de pacientes que antes precisavam viajar para outras regiões. Além disso, a presença do serviço tende a estimular a doação de medula óssea, ampliando as chances de compatibilidade para quem aguarda transplante.
A retomada do procedimento também está alinhada às políticas de fortalecimento da atenção especializada no país, com foco na redução do tempo de espera e na descentralização dos serviços de alta complexidade.
Além do retorno dos transplantes, o hospital apresentou recentemente o robô cirúrgico Da Vinci Xi, utilizado em procedimentos minimamente invasivos. A tecnologia permite maior precisão, visão ampliada e redução de riscos, contribuindo para recuperações mais rápidas e menor tempo de internação.



