O cigarro mudou e o comportamento também. Se antes fumar estava ligado a uma pausa, a sair do ambiente, hoje isso praticamente desapareceu. Com o cigarro eletrônico, o vape, o pod… o uso ficou discreto, sem cheiro e muito mais fácil de acontecer ao longo do dia inteiro.
E isso muda completamente o padrão de consumo. Muita gente acha que é mais seguro. Mas não é. O cigarro eletrônico contém nicotina que é uma substância que causa dependência, aumenta a frequência cardíaca, pode elevar a pressão e, ao longo do tempo, piorar sintomas de ansiedade.
O que mostram os dados
Uma pesquisa do InCor, coordenada pela Dra. Jaqueline Scholz em 2024, trouxe um alerta importante.
O perfil dos usuários é, na maioria, jovem. Muitos nunca fumaram cigarro comum. Começaram direto pelo eletrônico. E o principal motivo? Curiosidade. Outro ponto que chama atenção é a desinformação.
Mais da metade dos usuários não sabe se o dispositivo tem nicotina. E mesmo entre os que acham que não tem, exames mostram que a substância está presente.
Ou seja: a pessoa usa… e nem sabe exatamente o que está consumindo. Uso contínuo, risco maior Diferente do cigarro tradicional, o vape não exige pausa.
Ele vai sendo usado ao longo do dia, de forma quase automática. Isso aumenta muito a exposição à nicotina e a outras substâncias tóxicas.
Sem cheiro, sem incômodo aparente, o uso acaba acontecendo em qualquer lugar, inclusive em ambientes fechados e no trabalho.
E isso vai normalizando um hábito que não é inofensivo.
E no Brasil?
O cigarro eletrônico é proibido pela Anvisa ( Agência de Vigilância Sanitária).
Não pode ser comercializado nem divulgado. Mesmo assim, o acesso continua acontecendo, principalmente de forma informal.
O ponto mais importante
O maior problema hoje não é só o produto. É a desinformação. Cigarro eletrônico continua sendo um cigarro e faz mal para a saúde.
A ideia de que é mais leve, mais moderno ou mais seguro faz com que muita gente comece, principalmente jovens que talvez nunca fumariam um cigarro tradicional.
Mudar o formato não significa reduzir o risco.
E, hoje, informar é fundamental para evitar que esse novo padrão vire o próximo grande problema de saúde.



