O joanete, conhecido pelos médicos como hálux valgo, é uma das alterações mais comuns nos pés e pode ir muito além de uma questão estética. A deformidade, caracterizada pelo desvio progressivo do dedão em direção aos outros dedos, forma uma saliência óssea que pode causar dor, inflamação e dificuldade para caminhar.
De acordo com a ortopedista Dra. Marina Melhado, o problema costuma evoluir de forma silenciosa. “O joanete não é um osso que cresce, mas uma alteração no alinhamento da articulação do dedão”, explica. Essa mudança estrutural, segundo ela, tende a piorar ao longo dos anos se não for acompanhada.
Por que o joanete aparece
A origem do joanete está, na maioria das vezes, na predisposição genética. Pessoas com determinados formatos de pé ou maior frouxidão ligamentar têm mais chance de desenvolver a deformidade.
Mas fatores externos desempenham um papel importante na progressão do problema. O uso frequente de sapatos apertados, de bico fino ou salto alto pode acelerar o desalinhamento do dedo. “Essa tendência natural costuma ser agravada por calçados que empurram o dedão para dentro e aumentam a pressão sobre a articulação”, afirma a especialista.
Outras condições também estão associadas ao surgimento do joanete, como pé plano, alterações na pisada e doenças articulares. Com o tempo, essas mudanças afetam a mecânica da marcha e contribuem para o aumento da deformidade.
Quando o joanete começa a doer
Embora possa permanecer sem sintomas por anos, o joanete costuma causar dor quando há atrito constante com o calçado. Vermelhidão, inchaço e formação de calos são sinais comuns dessa fase.
Em estágios mais avançados, a mobilidade da articulação pode ser comprometida, tornando até atividades simples, como caminhar, desconfortáveis. “À medida que o desvio aumenta, outros dedos também podem se desalinhar, gerando dor no antepé e dificuldade para distribuir o peso”, destaca a médica.
Outro ponto de atenção é que o joanete não regride espontaneamente. Sem intervenção, a tendência é de progressão gradual, especialmente quando os fatores de risco continuam presentes.

Tratamento vai de mudança de hábitos à cirurgia
O tratamento inicial costuma ser conservador, com foco no alívio da dor e na tentativa de conter a evolução da deformidade. A troca de calçados é uma das primeiras recomendações, priorizando modelos mais largos e confortáveis.
Além disso, o uso de palmilhas, órteses e separadores de dedos pode ajudar a reduzir a sobrecarga na articulação. A fisioterapia também tem papel relevante, tanto no fortalecimento dos músculos do pé quanto na correção da pisada.
Em casos de dor persistente, podem ser indicadas infiltrações com medicamentos. Já quando o quadro compromete significativamente a qualidade de vida, a cirurgia passa a ser considerada. Técnicas mais modernas permitem corrigir o alinhamento do dedão com abordagens menos invasivas e recuperação mais rápida.
Segundo a especialista, o mais importante é não ignorar os sinais iniciais. Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas, desacelerar a progressão e, quando necessário, corrigir o problema com bons resultados.



