Ataque do Irã mata uma pessoa e fere dezenas no Kuwait, e aeroporto é atingido

O ministério acrescentou que outros 17 drones foram detectados e neutralizados. Segundo o governo kuwaitiano, os ataques tiveram como alvo instalações civis e infraestruturas consideradas estratégicas.

O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait informou que uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas em ataques do Irã nesta quarta-feira (3) que tiveram como alvo instalações civis no país, incluindo o aeroporto internacional e missões diplomáticas.

Em resposta ao que chamou de “agressões contínuas e hediondas” de Teerã, o governo do Kuwait convocou o encarregado de negócios da embaixada iraniana e declarou dois diplomatas do país persa “persona non grata”. A expressão em latim é usada como manifestação que a pessoa alvo da classificação não é bem-vinda ou aceitável ali.

A ofensiva atribuída ao Irã representou um novo capítulo que agrava o conflito no Oriente Médio. O Kuwait, país do Golfo rico em petróleo, vinha registrando relativa estabilidade desde o cessar-fogo firmado com Teerã em 8 de abril. Antes, forças iranianas haviam disparado uma série de mísseis e lançado drones contra a nação, aliada dos Estados Unidos, e também contra outros Estados da região.

O ataque ao Aeroporto Internacional do Kuwait feriu 63 pessoas e forçou as autoridades a desviar voos, informou a agência estatal de notícias. Segundo comunicado da Autoridade Geral de Aviação Civil, a ofensiva também causou danos severos a um dos terminais do aeroporto.

O Ministério da Defesa kuwaitiano afirmou ter detectado 30 mísseis balísticos e drones lançados pelo Irã. Segundo o porta-voz da pasta, Saud Abdulaziz al-Atwan, as Forças Armadas identificaram e interceptaram 13 mísseis balísticos hostis no espaço aéreo do país desde o início da madrugada. Os projéteis foram abatidos sobre diferentes áreas residenciais, o que resultou na queda de destroços em alguns locais.

O ministério acrescentou que outros 17 drones foram detectados e neutralizados. Segundo o governo kuwaitiano, os ataques tiveram como alvo instalações civis e infraestruturas consideradas estratégicas.

Mais cedo, os militares dos Estados Unidos afirmaram que os mísseis iranianos lançados contra o Kuwait não haviam atingido seus alvos ou tinham se desintegrado durante o voo. A avaliação, no entanto, foi posteriormente desmentida pelos acontecimentos registrados no país. Já outros três mísseis disparados em direção ao Bahrein teriam sido interceptados por forças americanas e bareinitas.

Segundo o Comando Central dos EUA, uma nova onda de drones iranianos direcionados a forças americanas no Kuwait não atingiu os alvos pretendidos. Em publicação na rede X, o comando acrescentou que mísseis balísticos iranianos disparados contra países vizinhos da região também falharam em alcançar seus objetivos.

Numa medida retaliatória, forças americanas atacaram alvos do regime na Ilha de Qeshm, no sul do Irã, onde interceptaram mísseis balísticos e drones iranianos.

Já a Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria do ataque contra bases americanas no Kuwait como retaliação a ações militares dos EUA contra um petroleiro iraniano. Negou, no entanto, que tenha atacado o aeroporto, atribuindo a destruição a mísseis interceptadores americanos que não atingiram seus alvos.

Mais tarde, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o Irã está “brincando com fogo”. Em entrevista à emissora americana CNBC, o premiê foi questionado sobre a manutenção do cessar-fogo diante dos recentes ataques ao Kuwait e ao Bahrein. Em resposta, ele disse que Teerã conhece os alertas feitos pelo presidente dos EUA sobre a possibilidade de uma nova intervenção militar.

“O Irã certamente sabe o que o presidente [Trump] disse: que, se necessário, haverá uma resposta em larga escala à ação militar”, afirmou. Netanyahu acrescentou que a decisão sobre uma eventual resposta cabe ao governo americano, mas destacou que tanto Israel quanto os EUA estão preparados para agir.

 

 

Redação / Folhapress

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