Operação prende suspeitos de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões no RS

A idosa esteve exposta ao esquema por cerca de seis meses antes de procurar a polícia.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quinta-feira (13) uma operação contra um golpe de R$ 37 milhões aplicado contra uma mulher idosa em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, vítima de um suposto esquema de investimentos falsos.

A vítima, de 70 anos, procurou a polícia para denunciar o prejuízo. Segundo ela, o dinheiro era oriundo de uma herança e de investimentos pessoais e foi pago em depósitos de diferentes valores.

Foram expedidos dez mandados de prisão preventiva (sem prazo) e 16 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. Um dos suspeitos foi preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira (14), no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, quando embarcaria para Navegantes (SC).

O suspeito mora em Balneário Camboriú e é proprietário de uma das empresas alvo da Operação Criptoabate. Segundo a polícia, ele recebeu R$ 77 milhões em uma conta pessoal após o golpe.

Também foram presos dois operadores de criptomoedas, um brasileiro e um chinês. Outras sete pessoas estão foragidas, entre elas um coreano e um brasileiro que, de acordo com a polícia, são donos de instituições financeiras responsáveis pela conversão de moedas para criptoativos. O nome dos suspeitos e dos presos não foi divulgado pela polícia.

O esquema é conhecido como “abate de porcos” e consiste em convencer vítimas a investir em plataformas falsas de criptoativos. É caracterizado pelo longo período de aproximação e convencimento, usado para conquistar a confiança das vítimas e conferir aparência de legitimidade aos investimentos.

De acordo com a investigação, os alvos eram pessoas de maior poder aquisitivo, adicionadas a grupos de aplicativos de mensagem que simulavam comunidades de investidores. Nesses grupos, eram compartilhadas análises econômicas e números fraudados como supostas provas de lucro. Ao solicitar o resgate da quantia investida, as vítimas eram orientadas a pagar taxas extras para ter acesso aos valores.

A mulher aplicou o dinheiro retirado de uma corretora em busca de maior retorno e, segundo a polícia, foi persuadida ao longo do tempo a investir mais no golpe. Até o momento, ao menos 140 vítimas em potencial foram identificadas.

Segundo a polícia, os recursos desviados dela foram divididos em 25 contas vinculadas a uma gerente de um banco brasileiro, cujo nome não foi divulgado. Ela também é procurada pela polícia.

A investigação estima que o volume de transações de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao caso supera R$ 30 bilhões.

“Há modelos de golpe que fazem grande número de vítimas com valores menores. Já no caso do falso investimento, o número de vítimas é mais baixo, mas o prejuízo é muito maior do que nos golpes mais comuns”, disse o delegado Eibert Moreira Neto, responsável pelo caso.

Segundo Eibert, a idosa esteve exposta ao esquema por cerca de seis meses antes de procurar a polícia e tinha preferência por investimentos de alto risco e maior rentabilidade.

“Ela tinha um consultor financeiro numa operadora verdadeira e licenciada, que muitas vezes a desaconselhava a fazer aportes tão altos em ativos arriscados, mas ela insistia”, disse o delegado. “Como esse consultor tentava frear suas movimentações mais arriscadas, ela decidiu tirar os recursos daquela plataforma e migrar para a outra, onde acabou sendo vítima do golpe.”

CARLOS VILLELA / Folhapress

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