A virada conservadora na América do Sul: Colômbia e Peru elegem líderes de direita sob a sombra de Trump

A América do Sul consolida uma forte guinada política em direção ao campo conservador. Em processos eleitorais recentes e altamente polarizados, os eleitores da Colômbia e do Peru escolheram candidatos de direita para comandar os seus respectivos países. Esse movimento atende aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apoia ativamente lideranças populistas na região para conter a influência da esquerda e expandir a sua agenda de segurança.

O avanço conservador na Colômbia e no Peru

Na Colômbia, as autoridades eleitorais declararam o empresário e advogado Abelardo de la Espriella como o novo presidente eleito. O candidato do movimento Defensores de la Patria, que nunca havia disputado um cargo público e recebeu o apoio explícito de Donald Trump, derrotou o parlamentar progressista Iván Cepeda no segundo turno. De la Espriella venceu por uma margem apertada de apenas 1 ponto percentual – pouco mais de 251 mil votos de diferença. O novo mandatário assume o cargo no dia 7 de agosto para um mandato de quatro anos, e sua vitória representa uma rejeição direta ao governo do atual presidente, Gustavo Petro.

Além disso, o presidente eleito promete adotar uma estratégia de “linha-dura” contra o crime, inspirada nas mega-prisões do presidente salvadorenho Nayib Bukele, e planeja integrar a Colômbia ao “Escudo das Américas”, uma coalizão militar e comercial proposta por Washington.

Por outro lado, o Peru também definiu o seu cenário político após uma apuração extremamente arrastada e tensa. Com mais de 99,9% das urnas processadas, Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, garantiu uma vantagem irreversível e tornou-se a primeira mulher eleita presidente do país por voto direto. A líder conservadora somou 50,11% dos votos válidos contra 49,88% do esquerdista Roberto Sánchez, superando o rival por uma margem mínima de aproximadamente 43 mil votos.

Contudo, a oposição peruana recusa-se a reconhecer o resultado. O partido Juntos por el Perú alega fraude eleitoral, apontando que uma alteração de última hora nas regras da ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) impediu a digitalização imediata das atas de votação vindas do exterior. Diante disso, Sánchez já convocou protestos e prometeu realizar uma resistência popular contra o governo de Keiko, que será a nona presidente do Peru no período de apenas dez anos.

O impacto regional e o isolamento do Brasil

Consequentemente, essa onda de vitórias da extrema-direita altera o equilíbrio geopolítico da América Latina. O avanço conservador adiciona a Colômbia e o Peru a uma lista que já conta com Bolívia, Equador e Paraguai no desenvolvimento de agendas reacionárias ou pró-Estados Unidos. De acordo com analistas políticos, a vitória de De la Espriella na Colômbia entrega a Trump o seu “maior troféu” na região, isolando os governos que resistem à interferência militar norte-americana.

Com a guinada nesses países, o Brasil e o México restam como os únicos grandes redutos de governos de esquerda na América Latina.

Essa nova configuração geográfica e ideológica impõe sérios desafios diplomáticos ao governo brasileiro. O Brasil enfrentará as urnas no outono, em uma eleição onde o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, busca o seu quarto mandato contra o candidato de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Portanto, o sucesso da direita nos países vizinhos serve de combustível para a oposição brasileira. Cientistas políticos alertam que, caso o candidato bolsonarista vença no Brasil, o país operará um alinhamento automático com as políticas de Washington em áreas como segurança pública, meio ambiente e minerais estratégicos. Mesmo se Lula conquistar a reeleição, o governo brasileiro precisará lidar com um Congresso opositor fortalecido pelo cenário internacional e com a constante pressão política exercida pela Casa Branca de Trump sobre o continente.

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