Hospital da Mulher da Paraíba registra primeiro parto de homem trans

O nascimento de Iara, uma menina saudável, simbolizou um avanço no modelo de assistência baseado no respeito, acolhimento e humanização do cuidado em saúde.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O Hospital da Mulher D. Creuza Pires, em João Pessoa, realizou na última semana um marco histórico na rede estadual de saúde da Paraíba: o primeiro parto em um homem trans atendido pela unidade. O nascimento de Iara, uma menina saudável, simbolizou um avanço no modelo de assistência baseado no respeito, acolhimento e humanização do cuidado em saúde.

O caso ganhou repercussão e reforça a atuação da unidade como referência em gestação de alto risco e atendimento a diferentes configurações familiares. Nesta sexta-feira (26), o hospital mantém sua rotina de funcionamento como unidade de porta aberta para urgências obstétricas e ginecológicas, além de seguir com atendimentos especializados e acompanhamento de pacientes da rede estadual.

A bebê é filha de Daniel Valentin, homem trans que gestou a criança, e de sua esposa Gisele Castro, mulher trans. O parto foi acompanhado por uma equipe multiprofissional, em um ambiente descrito pela família como seguro e acolhedor.

Embora o pré-natal tenha sido realizado em outra unidade de saúde, a família optou pelo Hospital da Mulher para o nascimento, levando em consideração a estrutura da unidade e sua referência em casos de alto risco obstétrico, perfil no qual a gestação se enquadrava.

O acolhimento a pessoas trans integra uma política já consolidada na unidade, em articulação com o Ambulatório TT, que acompanha usuários trans em diferentes etapas do cuidado. O hospital também realiza procedimentos especializados, como mastectomia masculinizadora e histerectomia para homens trans, ofertados dentro do Programa Opera Paraíba, ampliando o acesso a cirurgias de forma segura e humanizada.

Segundo Daniel, a experiência foi marcada pela sensação de segurança durante todo o processo. “O carinho dos profissionais e a forma como tudo foi conduzido confirmaram a escolha. Foi um parto cercado de respeito”, afirmou.

Gisele também destacou a qualidade do atendimento e a estrutura da unidade, ressaltando a tranquilidade de vivenciar o nascimento em um ambiente organizado e acolhedor.

Após o parto, a família participou do protocolo da Hora Ouro, que incentiva o contato pele a pele imediato entre o recém-nascido e os pais, fortalecendo vínculos afetivos logo nos primeiros minutos de vida.

O procedimento foi conduzido pelo médico obstetra Eguimar Fernandes, que destacou o caso como um avanço na consolidação de uma assistência mais inclusiva. Segundo ele, a unidade segue protocolos de segurança para gestação de alto risco, associando técnica e humanização.

A direção do hospital também reforçou o compromisso com o atendimento universal. A diretora-geral Marcela Tarcia afirmou que a unidade busca garantir cuidado digno e individualizado para cada paciente, respeitando suas particularidades.

O Hospital da Mulher D. Creuza Pires é referência na Paraíba para atendimento obstétrico de alta complexidade e funciona 24 horas, integrando a rede estadual de saúde com foco em assistência humanizada, segura e especializada.

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