Vítima de crime sem solução há cinco anos, Milena Massafera nomeia novo centro da Saúde voltado ao público LGBTQIAPN+

Milena foi assassinada à facadas em abril de 2021; Crime aconteceu em seu próprio apartamento, localizado na Vila Tibério

Milena Massafera foi morta aos 34 anos | Foto: Arquivo pessoal

Milena Massafera, morta na Vila Tibério há mais de cinco anos em um crime não solucionado até hoje, nomeará um novo centro da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto com foco no atendimento ao público LGBTQIAPN+.

Conforme informado com exclusividade pela própria pasta pública ao jornalismo do TH+ Portal, a nova medida é voltada ao atendimento integral e especializado da população LGBTQIAPN+, reconhecendo suas demandas específicas em saúde, assistência social e acolhimento.

Os projetos que estarão sob acompanhamento da comissão incluem:

Centro Especializado Milena Massafera: voltado para oferecer atendimento multiprofissional em áreas como psicologia, enfermagem, serviço social, fonoaudiologia, odontologia, educação física e medicina. O centro busca garantir acesso equânime e integral à saúde, respeitando identidade de gênero e orientação sexual dos usuários.

Grupos de Acolhimento LGBTQIAPN+: previstos para ocorrer em unidades da Atenção Primária à Saúde, nos CAPS de Saúde Mental e nos CRAS da Assistência Social. Esses grupos têm como finalidade fortalecer vínculos, promover saúde mental, ampliar o acesso aos serviços e criar redes de apoio comunitário.

Articulação com políticas públicas: a comissão também discutirá diretrizes nacionais e estaduais já existentes, como a Política Nacional de Saúde Integral LGBT e o Plano Estadual de Enfrentamento à Homofobia, para alinhar o projeto local às legislações e protocolos vigentes.

“A comissão representa um marco institucional para Ribeirão Preto, pois cria mecanismos de acompanhamento e avaliação de políticas voltadas à população sexo e gênero-diversa. Mais do que um espaço de saúde, o projeto busca ser um centro de referência em cidadania, dignidade e respeito, enfrentando a histórica exclusão e invisibilidade dessas pessoas nos serviços públicos”, considera a prefeitura.

Crime sem solução há cinco anos

Era 10 de abril de 2021 quando Massafera fora encontrada pela mãe e uma amiga próxima em seu próprio endereço, localizado no bairro Vila Tibério, após sumiço.

No apartamento, marcas de violência no corpo da vítima trans confirmavam o que o cenário do imóvel já indicava para aquelas que buscavam entender a falta da vítima. Tufos de cabelo no chão, sangue por todos os lados e 28 perfurações no cadáver de Milena, morta aos 34 anos.

O principal suspeito, não identificado até hoje, teria agendado um encontro sexual com Massafera para concretizar o crime. Na madrugada do assassinato, uma câmera de segurança flagrou o momento em que o indivíduo acessa o residencial, localizado na rua Coronel Luiz da Cunha.

O circuito de segurança também registrou o momento em que o suspeito deixa o local.

Com passos rápidos, o homem utilizava uma vestimenta diferente da qual deu entrada no apartamento. De acordo com a polícia, o assassino ainda teria se banhado antes de deixar o cenário do homicídio.

Entre os registros do circuito de segurança, a consumação do homicídio. A Perícia identificou que o assassino atingiu a vítima com facadas no pescoço, tórax, pernas e costas.

Ainda no cenário do assassinato, foram coletadas amostras de sangue e uma toalha de rosto que estava no banheiro. O celular da vítima não foi localizado pelos peritos durante o trabalho e até hoje permanece em limbo.

O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ). Milena foi sepultada no cemitério Bom Pastor.

Na íntegra

Leia a posição da Secretaria da Saúde sobre a medida em pauta:

“A Comissão de Acompanhamento do Projeto “Centro Especializado e de Referência à População Sexo e Gênero-diversa de Ribeirão Preto – Milena Massafera” foi instituída pela Secretaria Municipal de Saúde com o objetivo de garantir a implementação e o monitoramento de uma iniciativa inédita na cidade. Trata-se de um espaço voltado ao atendimento integral e especializado da população LGBTQIAPN+, reconhecendo suas demandas específicas em saúde, assistência social e acolhimento.

A portaria publicada pelo secretário Dr. Maurício Godinho (no Diário Oficial de ontem (30)) nomeia representantes da sociedade civil, universidades, organizações sociais e diferentes departamentos da própria Secretaria Municipal de Saúde. Essa composição plural assegura que o projeto seja acompanhado de forma democrática, técnica e participativa, refletindo tanto o conhecimento científico quanto as experiências da comunidade.

*Os membros que ocupam a Comissão são:

– Fábio de Jesus Silva (ONG Arco-íris RP)
– Edison Akamine (Sociedade Civil)
– Aline Epiphanio Wolf (FMRP/USP)
– Tauani Zampieri Fermino (EERP/USP)
– Sérgio Henrique Pires Okano (FMRP/USP)
– Lucas Mascarim da Silva (SEMAS)
– Kelly Paula do Amaral Brito (SEMAS)
– Giovanna Teresinha Candido (SAS – SMS)
– Jéssica Monique Bellini (SAS – SMS)
– Patrícia Lázara Serafim Campos Diegues (SPS – SMS)
– Marcela Pupim Bichuette (SPS – SMS)
– Thais Fernanda B. C. Paiola (SAF – SMS)
– Rafael Santos Vaz de Lima (SAF – SMS)
– Mônica de Arruda Rocha (SVS – SMS)
– Simone Barbosa Zuffi (SVS – SMS)

Os projetos que estarão sob acompanhamento da comissão incluem:

Centro Especializado Milena Massafera: voltado para oferecer atendimento multiprofissional em áreas como psicologia, enfermagem, serviço social, fonoaudiologia, odontologia, educação física e medicina. O centro busca garantir acesso equânime e integral à saúde, respeitando identidade de gênero e orientação sexual dos usuários.

Grupos de Acolhimento LGBTQIAPN+: previstos para ocorrer em unidades da Atenção Primária à Saúde, nos CAPS de Saúde Mental e nos CRAS da Assistência Social. Esses grupos têm como finalidade fortalecer vínculos, promover saúde mental, ampliar o acesso aos serviços e criar redes de apoio comunitário.

Articulação com políticas públicas: a comissão também discutirá diretrizes nacionais e estaduais já existentes, como a Política Nacional de Saúde Integral LGBT e o Plano Estadual de Enfrentamento à Homofobia, para alinhar o projeto local às legislações e protocolos vigentes.

Em síntese, a comissão representa um marco institucional para Ribeirão Preto, pois cria mecanismos de acompanhamento e avaliação de políticas voltadas à população sexo e gênero-diversa. Mais do que um espaço de saúde, o projeto busca ser um centro de referência em cidadania, dignidade e respeito, enfrentando a histórica exclusão e invisibilidade dessas pessoas nos serviços públicos”.

 

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