A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que ainda é prematuro falar sobre corte no preço da gasolina, apesar da queda das cotações internacionais do petróleo com a perspectiva de fim da guerra no Irã.
Na terça-feira (30), em operação casada com o governo, a estatal reduziu o preço do diesel nas refinarias. O corte foi de R$ 0,35 por litro, compensando o fim de subsídio do mesmo valor concedido em junho. No fim das contas, portanto, o preço final nas refinarias ficou o mesmo: R$ 3,30 por litro.
O Ministério da Fazenda já afirmou que pretende reduzir gradualmente os outros subsídios criados para conter os impactos do conflito no Oriente Médio. Justificou a medida dizendo que o petróleo já caiu bastante desde o pico do início da guerra.
Em entrevista nesta quarta, Magda disse que a Petrobras ainda avalia a questão da gasolina. “Nós olhamos isso o tempo todo e vamos acompanhar o que vai acontecer com os preços internacionais, com certeza. Mas a essa pergunta [sobre corte de preço] eu não vou responder porque ela é prematura.”
A Petrobras resistiu a elevar o preço da gasolina após o início da guerra. O reajuste foi anunciado apenas no fim de maio, depois que o governo anunciou uma subvenção de R$ 0,44 por litro de combustível. Como nas outras operações casadas, o subsídio compensou a alta nas refinarias.
Nesta quarta, Magda reforçou que a política de preços da estatal tenta evitar o repasse de volatilidades internacionais para o mercado externo e lembrou que a gasolina foi o último combustível a sofrer impacto da guerra.
“Todos os nossos combustíveis acompanham a tendência dos preços internacionais sem internacionalizar a volatilidade, sem internacionalizar a ansiedade, né. Então no caso da gasolina é a mesma coisa“, disse. “Ela custou para subir, né?”
Em entrevista à Reuters, porém, a executiva disse que já vê um novo patamar de preço do petróleo, em torno dos US$ 75 por barril (cerca de R$ 390), depois de semanas com operações em torno dos US$ 100 por barril.
Diante desse cenário, a Petrobras anunciou nesta quarta corte de 14,5% no preço do QAV (querosene de aviação) para entrega em julho. É o segundo corte consecutivo, mas o produto ainda acumula aumento de 40% em 2026, puxado por reajuste de 55% feito logo após o início da guerra.
Os contratos de QAV preveem reajustes mensais, o que deixa o preço mais suscetível a variações internacionais. O caso da gasolina é mais sensível porque o produto tem grande peso no IPCA, o índice oficial de inflação do governo.
Magda participou de cerimônia de lançamento da Seleção Petrobras Cultural 2026, que terá R$ 270 milhões para patrocinar projetos culturais. É o maior valor já aportado pela estatal em cultura. O programa usa recursos das leis Rouanet e do Audiovisual.
A empresa abrirá um processo com abrangência nacional para selecionar os projetos. São 11 modalidades de patrocínio, com estreia, este ano, das modalidades “Produção de Games” e “Incubação e Desenvolvimento Cultural”.
A cerimônia foi realizada no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro, com a presença de artistas e produtores culturais.
NICOLA PAMPLONA / Folhapress
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