10 álbuns antológicos da MPB com a bateria de Robertinho Silva

Se você é brasileiro e não conhece Robertinho Silva, hoje nós vamos te apresentar um dos maiores músicos do nosso país, considerado um dos definidores da linguagem brasileira para a bateria.

Ao longo de sua trajetória, Robertinho conheceu e estudou a fundo os ritmos brasileiros e desenvolveu sua forma única de tocar. Suas performances misturam virtuosismo e irreverência e o músico tornou-se também um ícone mundial da bateria e da percussão.

Robertinho Silva nasceu no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1941, e aprendeu a tocar instrumentos de forma autodidata. Ele contou sobre seu início na música eu uma entrevista ao Museu da Pessoa, lá em 2004:

“Desde pequenininho eu, através dos meus irmãos, né, bem pequeno mesmo, na hora da boia – boia é hora da comida, do jantar ou do almoço -, meus irmãos sempre faziam batucada na mesa, às vezes atrás do guarda-roupa, e eu já colocava dentro de uma latinha de fermento, aquele fermento Royal da antiga, colocava milho ou feijão e fazia chocalhinho.

Então, o meu pai, como era craque assim, em construção civil, todos os móveis dentro de casa foram construídos por ele, mesa, banquinho. Então, no banquinho, ele já fazia o som do bongô, porque no Rio de Janeiro, na época, a moda era conjunto de rumba, rumbeira, as pessoas usavam aquela roupa de rumbeiro, cheia de babado (…) Eu ficava fascinado de ver as pessoas tocando bongô, então, eu já no banquinho, já treinava bongô, e depois meu primeiro instrumento foi um tambor mesmo.

Porque o bairro era rodeado de centros espíritas de Umbanda. Eu sempre fugia para um ‘templinho’ daqueles para tocar tambor. A minha mãe também gostava de um terreiro onde eu vi um cidadão chamado Nelson, tocava muito bem. Eu era pequenininho, ficava do lado dele. E no dia em que ele faltou ao centro eu peguei o atabaque e saí tocando, porque de tanto ouvir, eu já sabia os toques de cor e os pontos para os orixás. E comecei assim até chegar na bateria. 

Eu tinha uns oito anos de idade por aí, bem pequeno mesmo. Eu lembro que eu não aguentava passar uma noite inteira. Eu dormia assim em cima do tambor, quando acordava tinha um pires cheio de moedinhas.”.

Robertinho foi o primeiro músico da família. Montou um trio chamado Ases do Ritmo, que tocava chorinho e boleros. No trio, ele tocava pandeiro, bongô, maraca e cavaquinho. Com o decorrer do tempo, ele ficou fascinado pelas orquestras americanas que via no cinema. Logo, começou a tocar bateria em um conjunto de baile, onde tocava de jazz, passando pelo samba e pela Bossa Nova.

A relação com os mineiros

Milton Nascimento e Robertinho Silva | Imagem: Acervo Pessoal (Foto de Paulo Ricardo)

O primeiro músico mineiro que Robertinho SIlva conheceu foi o compositor, pianista e arranjador Wagner Tiso, quando ele foi visitar o Rio de Janeiro, em 1965, e frequentou a boate em que o baterista trabalhava, em Copacabana. 

Eles ficaram amigos e Tiso apresentou a Robertinho a música de Minas Gerais. Em 1970, os dois formaram, ao lado de outros mineiros – Tavito, Luiz Alves, Fredera e Zé Rodrix – a banda Som Imaginário, primeiramente para acompanhar Milton Nascimento.

O grupo – que também contou com a participação do percussionista Naná Vasconcelos por algum tempo – acompanhou em gravações outros nomes da MPB como: MPB-4, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Sueli Costa e Simone.

Além dos discos “Milton” (1970) e “Milagre dos Peixes” (1974) com Milton Nascimento, a banda também lançou três discos próprios, até se dissolver em 1976. 

Em 2012, depois de quase 40 anos depois da última apresentação do grupo, ocorreu a reunião de Wagner Tiso, Luiz Alves, Robertinho Silva, Tavito e Nivaldo Ornelas no projeto “Wagner Tiso e o Som Imaginário”. O grupo fez três apresentações no SESC Belenzinho, em São Paulo, e depois não parou mais. No início de 2013, o guitarrista Victor Biglione entrou na banda. 

Em 2023, saiu o quarto álbum do grupo: “Banda da Capital”.

Robertinho Silva em cena com o conjunto Som Imaginário | Imagem: Acervo Pessoal

Carreira solo

Robertinho Silva passou a tocar com todos os artistas mineiros a partir daquele encontro com Wagner Tiso. Além de 26 anos ao lado de Milton Nascimento e também do antológico álbum do Clube da Esquina, ele acompanhou Beto Guedes e Lô Borges.

Também acompanhou outros grandes nomes da MPB depois disso, como Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, Tom Jobim, João Bosco e João Donato, além de artistas internacionais como Herbie Hancock, Sarah Vaughan eGeorge Benson.

Além disso, o baterista – hoje com 85 anos – já lançou mais de 10 álbuns solo, desde 1981 até o mais recente, em 2016.

Atualmente, Robertinho Silva dedica-se à carreira solo e à pesquisa dos ritmos folclóricos de todas as regiões do Brasil. Faz shows, ministra cursos, seminários, oficinas e workshops, desenvolve projetos com companhias de dança e teatro, com enfoque em ritmos brasileiros. Faz também inúmeros trabalhos com a “Família Silva”, composta por ele e seus filhos.

Em 1997, criou a escola de música Centro de Percussão Alternativo Robertinho Silva.

10 álbuns importantes da MPB com a bateria de Robertinho Silva

1 – Milton – Milton Nascimento (1970)

Principais faixas: 

  • Para Lennon E McCartney (Fernando Brant, Lô Borges e Márcio Borges)
  • Clube Da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges)
  • Pai Grande (Milton Nascimento) 

2 – Clube da Esquina – Milton Nascimento e Lô Borges (1972)

Principais faixas: 

  • Tudo Que Você Podia Ser (Lô Borges e Márcio Borges)
  • O Trem Azul (Lô Borges e Ronaldo Bastos)
  • Cravo E Canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
  • Clube Da Esquina Nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges)
  • Nada Será Como Antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

3 –  Índia – Gal Costa (1973)

Principais faixas: 

  • Milho Verde (Gilberto Gil e Folclore de Portugal)
  • Presente Cotidiano (Luiz Melodia) 
  • Da Maior Importância (Caetano Veloso)
  • Pontos De Luz (Waly Salomão e Jards Macalé)

4 – Ave Noturna – Fagner (1975)

Principais faixas: 

  • Fracassos (Fagner)
  • A Palo Seco (Belchior)
  • Riacho Do Navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
  • Ave Noturna (Fagner e Cacá Diegues)

5 – Geraes – Milton Nascimento (1976)

Principais faixas: 

  • O Que Será? (À Flor Da Pele) (Chico Buarque)
  • Circo Marimbondo (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
  • Minas Geraes (Ronaldo Bastos e Novelli)
  • Primeiro De Maio (Chico Buarque e Milton Nascimento)
  • O Cio Da Terra (Chico Buarque e Milton Nascimento)

6 – Face a Face – Simone (1977)

Principais faixas: 

  • Face A Face (Cacaso e Sueli Costa)
  • O Que Será? (Chico Buarque)
  • Céu De Brasília (Fernando Brant e Toninho Horta)
  • Começaria Tudo Outra Vez (Luiz Gonzaga Júnior)

7 – Amor de Índio – Beto Guedes (1978)

Principais faixas: 

  • Amor De Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
  • Novena (Milton Nascimento e Márcio Borges)
  • Feira Moderna (Fernando Brant, Lô Borges e Beto Guedes)
  • Luz E Mistério (Caetano Veloso e Beto Guedes)
  • O Medo De Amar É O Medo De Ser Livre (Fernando Brant e Beto Guedes)

8 – Caçador de Mim – Milton Nascimento (1981)

Principais faixas: 

  • Crescente (Wagner Tiso)
  • Caçador De Mim (Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão)
  • Bela, Bela (Milton Nascimento e Ferreira Gullar)

9 – Ânima – Milton Nascimento (1982)

Principais faixas: 

  • Olha (Milton Nascimento)
  • As Várias Pontas De Uma Estrela (Caetano Veloso e Milton Nascimento)
  • Certas Canções (Milton Nascimento e Tunai)

10 – Donatural – João Donato (2009)

Principais faixas: 

  • A Paz (Leila IV) (Gilberto Gil e João Donato)
  • Bananeira (Gilberto Gil e João Donato)
  • Minha Saudade (João Donato e João Gilberto)
  • A Rã (Caetano Veloso e João Donato)

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