Estresse e ansiedade podem aumentar a pressão alta, inclusive em adultos jovens

Ansiedade, estresse crônico e noites mal dormidas não pesam apenas no bem-estar emocional. Esses fatores também vêm sendo associados a um risco maior de hipertensão, inclusive em pessoas mais jovens, um grupo que nem sempre apresenta os fatores clássicos da doença.

Para a cardiologista Ana Paula Andrade Garcia, a conexão entre mente e coração precisa entrar de vez no radar. “A saúde mental pode influenciar diretamente a pressão arterial, e isso nem sempre é percebido no dia a dia”, afirma.

Publicações científicas recentes têm reforçado essa relação ao observar que ansiedade e depressão aparecem com mais frequência entre pessoas que desenvolvem pressão alta. A explicação não se limita a mudanças de comportamento, como comer pior ou se exercitar menos: o corpo também reage biologicamente ao estresse.

O que acontece no corpo quando o estresse vira rotina

Situações de tensão ativam um sistema natural de defesa do organismo. Nesses momentos, é comum o coração bater mais rápido e os vasos sanguíneos se contraírem, o que eleva a pressão. Em episódios pontuais, isso faz parte do funcionamento normal do corpo.

O problema começa quando o estado de alerta deixa de ser exceção e vira regra. “Com estresse crônico, há liberação constante de hormônios como cortisol e adrenalina, e isso pode favorecer uma elevação sustentada da pressão”, explica a cardiologista.

Com o tempo, essa ativação contínua pode aumentar a sobrecarga do sistema cardiovascular e contribuir para alterações nos vasos sanguíneos, dificultando o controle da pressão.

Outro ponto importante é o sono. Distúrbios do sono, muitas vezes ligados à ansiedade, também entram nessa equação ao interferir no equilíbrio hormonal e atrapalhar a regulação natural da pressão arterial.

Por que esse risco ainda passa despercebido

Apesar do avanço das evidências, a saúde mental ainda costuma aparecer pouco no manejo prático da hipertensão. Em geral, a investigação e as orientações se concentram em alimentação, excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar, fatores relevantes, mas que não explicam todos os casos.

Na rotina de consultório, muitas pessoas convivem com estresse intenso, ansiedade ou sobrecarga emocional sem que isso seja tratado de forma estruturada. Em algumas situações, a pressão segue difícil de controlar mesmo com remédios, porque a causa do desequilíbrio não está sendo enfrentada.

Esse cenário chama atenção especialmente entre adultos jovens, que podem apresentar pressão elevada mesmo sem os fatores de risco mais conhecidos.

Cuidar da mente também ajuda a tratar a pressão

Especialistas reforçam que o controle da hipertensão não se resume ao uso de medicamentos. Medidas voltadas à saúde mental podem ter impacto direto na regulação da pressão arterial ao reduzir o estado constante de alerta do organismo.

Entre as estratégias citadas estão melhorar a qualidade do sono, diminuir o nível de estresse e organizar a rotina para buscar mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. “Não é trocar o tratamento médico, e sim complementar. A hipertensão é multifatorial, e ignorar a saúde mental é tratar apenas uma parte do problema”, alerta Ana Paula Andrade Garcia.

Práticas como atividade física regular, técnicas de respiração, terapia e pausas ao longo do dia podem ajudar nesse processo, além de favorecerem hábitos que já são recomendados para a saúde do coração.

Em um cotidiano cada vez mais acelerado, entender a ligação entre emoções e pressão arterial pode ser decisivo para reconhecer sinais precoces, melhorar o controle da hipertensão e reduzir riscos a longo prazo.

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