Emoções: você as domina ou são elas que te dominam?

Jhon Fuentes
Jhon Fuentes
Neuropsicólogo, psicólogo escolar, psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atuando nos tratamentos de Depressão, Ansiedade, Síndrome de Burnout, doenças psicossomáticas e situações com sequelas graves de violência doméstica.

Você já passou por isso?

· Já falou algo no calor do momento e depois se arrependeu?

· Já deixou a ansiedade tomar conta das suas decisões?

· Já permitiu que a insegurança impedisse você de aproveitar uma oportunidade?

As emoções fazem parte da vida. No entanto, quando estão em desequilíbrio ou passam a conduzir nossas escolhas, podem afetar nossos relacionamentos, nossa saúde e até o nosso futuro.

O que são emoções e qual é o papel delas em nossa vida

Emoção não é frescura. Emoção não é fraqueza.

Emoção é uma resposta biológica: é o corpo comunicando informações antes mesmo de conseguirmos traduzi-las em palavras. Ela pode surgir a partir de estímulos internos, como pensamentos e lembranças, ou externos, como pessoas, ambientes e situações. As emoções nos ajudam a reagir com rapidez, compreender o que acontece ao nosso redor e lidar melhor com os desafios do dia a dia.

As emoções ajudam a:

– Proteger: o medo sinaliza riscos e favorece reações rápidas.

– Apoiar decisões: indicam valores, prioridades e pontos de atenção.

– Fortalecer relações: alegria, empatia e gratidão aproximam as pessoas.

– Impulsionar atitudes: o que sentimos influencia ações e mudanças.

– Favorecer a aprendizagem: experiências emocionais tendem a ser mais lembradas.

– Comunicar necessidades: sinalizam como estamos e facilitam a comunicação.

O psicólogo americano Paul Ekman, pioneiro no estudo das emoções e das expressões faciais, identificou seis emoções consideradas universais: alegria, tristeza, medo, raiva, nojo e surpresa. Mais tarde, outros estudiosos ampliaram essa lista, incluindo novas emoções.

As emoções, por si só, não são boas nem ruins. Todas têm uma função importante quando estão em equilíbrio.

As emoções envolvem a atuação integrada de diferentes regiões do cérebro, especialmente:

– Amígdala: identifica ameaças e aciona respostas rápidas de proteção.

– Hipocampo: relaciona emoções a memórias e experiências vividas.

– Córtex pré-frontal: participa da regulação emocional, do autocontrole, da tomada de decisões e do planejamento.

A boa notícia é com algumas estratégias simples é possível aprender a regular as emoções:

1 – Reconheça o que sente: antes de reagir, pergunte-se o que está sentindo. Nomear a emoção ajuda a reduzir sua intensidade.

2 – Identifique o gatilho: observe o que despertou a emoção: um fato, uma lembrança ou sua interpretação da situação.

3 – Perceba os sinais do corpo: alterações como coração acelerado ou respiração ofegante indicam a intensidade da emoção e ajudam a evitar impulsos.

4 – Regule a respiração: inspire e expire devagar para acalmar o corpo e reduzir o estado de alerta.

5 – Questione seus pensamentos: avalie se correspondem aos fatos ou se há outra forma de interpretar a situação.

6 – Evite agir no calor do momento: faça uma pausa antes de responder ou decidir para recuperar a clareza.

7 – Cuide da saúde física: sono, alimentação equilibrada e atividade física favorecem a regulação emocional.

8 – Aceite as emoções: elas são naturais; o objetivo é compreendê-las e conduzi-las melhor, não eliminá-las.

A seguir, compartilho um exercício clássico de regulação emocional e inteligência emocional, muito utilizado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e em práticas de mindfulness (atenção plena), para que você possa praticar no dia a dia:

– Reconheça: identifique a emoção. Exemplo: “estou com raiva”.

– Pause: respire lentamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca.

– Reflita: pergunte-se o que causou essa emoção e se sua reação está proporcional à situação.

– Decida: faça escolhas aliadas aos seus valores e objetivos.

Isso não significa que você deixará de sentir emoções difíceis. A proposta é aprender a reduzir sua intensidade quando necessário e agir com mais prudência, consciência e equilíbrio. Com prática e autoconhecimento, essa habilidade pode ser desenvolvida. Quando preciso, o apoio profissional também pode ser um recurso importante nesse processo. Até semana que vem.

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