O Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB) manteve a interdição ética das atividades de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva 2 (UTI 2) e no Posto de Enfermagem 2 do Hospital Municipal Pedro I, em Campina Grande. A decisão foi tomada após uma nova inspeção concluir que as irregularidades que motivaram a medida, aplicada em novembro de 2025, ainda não foram totalmente corrigidas.
A avaliação foi realizada por uma Comissão de Sindicância na última terça-feira (7), durante vistoria que analisou o pedido de desinterdição apresentado pela direção da unidade hospitalar.
Irregularidades persistem
Segundo o relatório técnico, embora o hospital tenha informado que realizou intervenções estruturais e organizacionais, ainda foram identificadas falhas que, na avaliação do Coren-PB, comprometem a segurança dos pacientes, dos profissionais de enfermagem e a qualidade da assistência prestada.
Entre as irregularidades apontadas durante a inspeção estão:
- tubulações e drenos do sistema de climatização expostos nos banheiros das enfermarias;
- ausência de tomadas elétricas nas cabeceiras dos leitos;
- proximidade inadequada entre a rede elétrica e a rede de gases medicinais;
- circulação de trabalhadores e materiais de construção em áreas assistenciais sem isolamento físico;
- acúmulo de resíduos das obras em áreas de circulação;
- falta de chuveiros elétricos nos banheiros destinados aos pacientes.
Descumprimento de normas
De acordo com o Coren-PB, as inconformidades identificadas descumprem normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Programa Nacional de Segurança do Paciente, da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem e de resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
O conselho afirma que essas condições representam riscos à assistência prestada aos pacientes e ao exercício da atividade dos profissionais de enfermagem.
Interdição segue até correção das falhas
Em nota, o presidente do Coren-PB, Thiago Roniere, informou que a interdição ética tem caráter preventivo e permanecerá em vigor até que todas as irregularidades sejam corrigidas e comprovadas em uma nova vistoria.
Com base no relatório da Comissão de Sindicância, o pedido de desinterdição apresentado pela direção do Hospital Pedro I foi indeferido.
Entenda o caso
A interdição ética parcial foi aplicada pelo Coren-PB em novembro de 2025, após fiscalizações apontarem falhas estruturais e assistenciais na UTI 2, no Posto de Enfermagem 2 e no Centro de Material e Esterilização (CME).
Na ocasião, o conselho identificou problemas relacionados ao processamento de materiais, controle de infecções e condições estruturais consideradas incompatíveis com a prestação segura da assistência em saúde.
Posicionamento do hospital
Até a publicação desta reportagem, a direção do Hospital Municipal Pedro I havia informado ao Coren-PB que realizou adequações estruturais e organizacionais e solicitou a desinterdição dos setores. No entanto, o pedido foi negado após a nova inspeção técnica. A reportagem deixa espaço aberto para eventual manifestação da direção da unidade ou da Prefeitura de Campina Grande sobre as irregularidades apontadas e as medidas previstas para atender às exigências do conselho.


