Uma alimentação com maior presença de alimentos de origem vegetal pode estar associada a uma melhor qualidade de vida em homens diagnosticados com câncer de próstata. É o que indica um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, que acompanhou 1.531 pacientes com a doença em estágio localizado por mais de uma década.
O oncologista Fernando Maluf avalia que os dados se somam a um movimento crescente da oncologia de olhar além dos tratamentos e incluir hábitos de vida no cuidado. “Mudanças no estilo de vida podem ajudar o paciente a atravessar o tratamento e o acompanhamento com mais bem-estar”, afirma.
A pesquisa analisou homens que já haviam sido tratados ou estavam em vigilância ativa, estratégia de acompanhamento rigoroso adotada em casos selecionados para evitar intervenções imediatas. A idade média dos participantes no diagnóstico era de 65 anos.
Entre 2004 e 2006, após o diagnóstico, os voluntários responderam a questionários sobre frequência alimentar. Com essas informações, os pesquisadores calcularam dois indicadores de padrão alimentar: um que mede o consumo geral de alimentos vegetais e outro que dá mais peso a opções consideradas nutricionalmente mais benéficas.
O que os pesquisadores observaram
Ao longo de mais de 14 anos de avaliações periódicas, pontuações mais altas nesses índices de dieta baseada em plantas foram associadas a melhores resultados em diferentes dimensões da qualidade de vida. Entre os pontos ligados ao padrão alimentar, aparecem:
- · melhor função sexual;
- · melhor funcionamento intestinal;
- · melhor condição física;
- · melhor saúde mental.
Os homens com maior adesão ao padrão alimentar também relataram menos incômodo relacionado à função sexual e intestinal — dois aspectos frequentemente afetados pelo tratamento do câncer de próstata.
Para Maluf, o destaque para a função sexual chama atenção por ser uma das queixas mais comuns após terapias para a doença. “Quando falamos em qualidade de vida no câncer de próstata, esse tema costuma ser central para muitos pacientes”, explica o médico.
Os achados reforçam a discussão sobre estratégias complementares ao tratamento — como atividade física e alimentação mais saudável — para ajudar pacientes a lidar com efeitos colaterais e preservar o bem-estar no longo prazo durante a jornada da doença.


