Considerado um dos grandes discos da carreira de Caetano Veloso, Transa — quarto álbum solo do músico e o segundo gravado durante seu exílio londrino — transforma a experiência do desenraizamento em linguagem musical. Em meio a uma Londres cosmopolita, num momento em que transitava entre novas sonoridades e culturas sem perder a conexão com a terra natal, o artista mistura português e inglês, samba, reggae, rock e referências ao cancioneiro nordestino, criando uma sonoridade híbrida que reflete sua própria condição de expatriado.
O disco foi gravado em quatro sessões no segundo semestre de 1971. Acompanhado pelos músicos Jards Macalé, Tutty Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Souza. Caetano construiu um universo musical mais acústico, intimista, despido dos arroubos tropicalistas, mas sem perder a sofisticação e o experimentalismo.
Neste livro, que faz parte da coleção O Livro do Disco, da Editora Cobogó, a autora Mateus Baldi vai da partida para o exílio aos bastidores de gravação e à recepção na imprensa, apresentando uma profunda pesquisa de arquivos aliada a entrevistas inéditas feitas com os principais personagens da história do álbum.

Para Baldi, Transa é um “disco-mapa” do Brasil que Caetano trazia dentro de si. Das múltiplas incorporações do cancioneiro brasileiro às faixas em inglês, o cantor recria “um Brasil íntimo de seus afetos” — e é a partir dessa chave de leitura que as páginas dissecam o disco.
Em meio à violência da ditadura militar, Transa surge como bússola afetiva e artística “para se orientar em meio à devastação”, afirmando a música brasileira como espaço de resistência, memória e reinvenção. Como definiu Jards Macalé em entrevista à autora, o disco é “um alimento fundamental para a música brasileira, para a cultura brasileira, para tudo e para a satisfação da gente. Foi e é muito grande”.
Sobre a autora:
Mateus Baldi nasceu no Rio de Janeiro, em 1994. Mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é autora dos livros de contos “Os anos de vidro” (2024), que recebeu o prêmio APCA 2025, e “Formigas no paraíso” (2022), além de organizadora da antologia “Vivo muito vivo — 15 contos inspirados nas canções de Caetano Veloso” (2022).


