O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, participou nessa terça-feira de uma sabatina exclusiva promovida pelo Jornal NovaBrasil. O ex-governador de Goiás respondeu a perguntas sobre o cenário eleitoral, a economia e as propostas para um eventual governo.
Caiado critica disputa entre Lula e Bolsonaro
No início da entrevista, o pré-candidato foi questionado sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias. Caiado classificou o episódio como parte de um “jogo” que afasta o debate eleitoral dos problemas reais do país.
“Você assiste claramente que os dois estão jogando o mesmo jogo. Um se alimenta do outro”, disse o pré-candidato.
Para o político, a disputa entre governo e oposição consome o debate público e impede discussões sobre temas urgentes. Ele citou o endividamento das famílias, o avanço das facções criminosas e a falta de investimento em tecnologia e saúde como pautas ignoradas.
“Liderança não se transfere, liderança se constrói”, afirmou, ao defender que cada pré-candidato assuma seus próprios problemas em vez de explorar a imagem de familiares.
Para Caiado, queda de juros depende de “exemplo de vida”, não de canetada
Questionado sobre como pretende reduzir a taxa de juros, atualmente em 14,25%, a segunda maior taxa real do mundo, Caiado descartou uma solução imediata e disse que a política monetária depende de credibilidade construída ao longo da gestão.
“Não é canetada. Você governa não é pelo discurso e nem pela canetada. Você governa é pelo seu exemplo de vida”, respondeu.
Ronaldo Caiado relembrou a situação fiscal de Goiás quando assumiu o governo do estado, com mais de 6,8 bilhões de reais em dívidas imediatas e capacidade de pagamento bloqueada. Segundo ele, a saída passa por reunir os poderes da República, apresentar reformas ao Congresso já no início do mandato e recuperar a confiança de investidores e empresários.
Corte de gastos viria “dentro das prioridades” do governo
Questionado sobre a dívida pública, que já soma 81% do PIB, Caiado disse que qualquer corte de gastos dependerá do plano de governo a ser implementado após a posse. Ele evitou detalhar áreas específicas, mas afirmou que pretende fazer uma reforma administrativa.
“Vou cortar na carne, vou fazer uma reforma administrativa que vai demonstrar para a população que nós não vamos continuar avançando no bolso do cidadão”, declarou.
Caiado também responsabilizou o governo Lula pelo aumento do endividamento das famílias. Segundo ele, o governo primeiro incentivou o brasileiro a contrair empréstimos, depois elevou os juros e, por fim, lançou o Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas.
“O Lula estimulou as pessoas a tomarem empréstimos. Depois ele aumentou a taxa de juros e disse: vou fazer agora o Desenrola. Mas ele devia explicar ao brasileiro quem foi que enrolou, porque para desenrolar, alguém enrolou o cidadão”, afirmou.
Pré-candidato defende o SUS, mas cobra mais investimento federal
O entrevistado foi questionado sobre o motivo pelo qual a elite política recorre a hospitais particulares, como o Sírio-Libanês e o Einstein, em vez de usar o SUS, enquanto a população espera meses por atendimento, em uma comparação com o modelo norueguês de saúde pública. Caiado saiu em defesa do Sistema Único de Saúde e classificou a comparação como inválida.
“Nenhum país tem um sistema único de saúde como tem o Brasil. Isto é algo de uma vitória ímpar que foi conseguido na Constituinte”, disse.
Segundo o pré-candidato, o problema não está na existência do SUS, mas na redução do repasse federal ao longo dos anos. Ele afirmou que o governo federal cobria 60% dos custos do sistema há duas décadas e hoje arca com cerca de metade desse valor, transferindo o peso a estados e municípios.
“O SUS hoje está nos ombros de governadores e de prefeitos“, resumiu.
Reforma da Previdência pode voltar à pauta
Diante do envelhecimento acelerado da população brasileira, Caiado admitiu que uma nova reforma da Previdência pode ser necessária, mas defendeu que qualquer mudança preserve os direitos já garantidos por lei.
“O que nós precisamos mostrar à população, sem praticar nenhuma injustiça, é como vai ser a sustentabilidade da previdência no país”, explicou.
O pré-candidato disse que buscaria referências internacionais e especialistas para conduzir o debate. “Eu não me coloco como dono da verdade”, afirmou.
Governador promete repassar mais poder aos estados
Na parte final da entrevista, Caiado concordou com a avaliação de que o poder está cada vez mais concentrado em Brasília. Para o pré-candidato, a centralização trava a capacidade de estados e municípios de implementar políticas próprias.
“A concentração de poderes em Brasília é enorme. Concordo plenamente. Eu fui governador por dois mandatos e sei o que sofri”, declarou.
Ele citou os resultados de Goiás em segurança pública e educação como exemplo de gestão e prometeu, caso eleito, propor mudanças constitucionais para transferir mais atribuições aos entes federativos.
“Todo mundo falou mais Brasil e menos Brasília. Ninguém nunca fez nada. Vou fazer”, afirmou, ao encerrar a entrevista.
A sabatina faz parte de uma série de entrevistas que o Jornal Novabrasil está promovendo com os pré-candidatos à Presidência da República. Os demais nomes já foram contatados e convidados a participar.


