Polícia investiga morte de mulher após denúncia de negligência médica e seguidas altas no PS

Esther Santos, de 32 anos, faleceu após receber seguidas altas do pronto-socorro municipal de Araçatuba e passar por três vezes em uma UBS.

Pronto-socorro municipal de Araçatuba (SP) — Foto: Divulgação

A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias da morte de Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos, de 32 anos, ocorrida na última quinta-feira (9), após passar por pelo menos sete atendimentos na rede municipal de saúde de Araçatuba (SP) e receber sucessivas altas. Ela deixou uma bebê de quatro meses e uma criança de três anos.

O caso foi registrado no plantão policial nessa terça-feira (14) pelo irmão da vítima, Gabriel Henrique dos Santos. De acordo com o relato dele, Esther buscou o primeiro atendimento no dia 25 de junho, no Pronto-Socorro Municipal Aida Vanzo Dolce, com sintomas gripais.

Na ocasião, foi informada da possibilidade de a vítima estar com pneumonia, sendo submetida a alguns exames, incluindo radiografia de tórax. Após a avaliação, foram prescritas medicações para uso domiciliar, e ela foi liberada.

Três dias depois, em 28 de junho, a vítima retornou à unidade com queixas de falta de ar, dor no peito e formigamento no braço. Ela teve a medicação substituída, pois foi constatada alteração em seu quadro de diabetes, bem como frequência cardíaca um pouco elevada. Após o atendimento, recebeu novamente alta médica, mas segundo o irmão, ela não apresentou melhora nos sintomas.

“Ansiedade”

A paciente voltou a procurar atendimento médico no dia 1º de julho, mas desta vez, na UBS do Bairro São José, onde foi informada de que seu caso era considerado urgente e que deveria retornar imediatamente ao Pronto-Socorro Municipal.

No dia 2 de julho, com o agravamento do quadro, Esther precisou ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No pronto-socorro, foi atendida por um médico que, segundo o depoimento do familiar, descartou pneumonia e afirmou que os sintomas da paciente seriam “coisa da cabeça dela”, levantando a hipótese de uma crise de ansiedade.

Diante de queixas de dor abaixo da costela, o médico também cogitou pedras na vesícula e orientou a realização de um exame particular. Mesmo após a paciente retornar com o resultado da ultrassonografia no mesmo dia, o médico teria insistido na tese de crise de ansiedade.

Na noite do dia 3 de julho, como continuava com os sintomas, Esther voltou à UBS São José, onde recebeu soro intravenoso e fez uso de uma medicação inalatória (bombinha). Ela permaneceu em observação por cerca de uma hora e foi liberada.

Suspeita de embolia

A situação se agravou nos dias seguintes. Em 6 de julho, Esther procurou a UBS do Bairro São José, mais vez. Ao avaliarem o estado da jovem, os profissionais da UBS suspeitaram de uma embolia pulmonar e solicitaram sua transferência imediata e urgente de ambulância para o Pronto-Socorro Municipal.

Segundo o irmão da vítima, apesar da gravidade do alerta e de Esther apresentar extrema dificuldade para respirar e incapacidade de caminhar, ela recebeu uma nova alta médica na madrugada do dia 7 de julho, sem a prescrição de novos medicamentos.

Óbito

No feriado do dia 9 de julho, Esther passou mal em sua residência e, pouco antes de falecer, caiu de bruços sobre o sofá, apresentando evacuação e vômito, além de coloração arroxeada nas mãos e no rosto.

O irmão relatou à polícia que o Samu demorou a enviar socorro no dia do óbito porque as ligações iniciais foram tratadas como “não urgentes” pelos atendentes, sob a justificativa de que o mesmo número de telefone já havia feito diversas chamadas anteriores. A gravidade da situação só foi percebida após insistentes ligações da família.

Esther acabou falecendo no dia 9. A causa da morte da jovem foi descrita como “indeterminada” na certidão de óbito.

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