Por que o brasileiro “seca” a Argentina? Entenda a origem da maior rivalidade do futebol

Da Guerra da Cisplatina às decisões de Copa do Mundo, a disputa entre os vizinhos atravessa quase dois séculos

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Pelé e Maradona são símbolos da rivalidade entre Brasil e Argentina. Foto: Reprodução/CHATGPT

Não importa a competição. Sempre que a Argentina entra em campo, uma parte dos brasileiros deixa de lado a eliminação da Seleção e passa a torcer pelo adversário dos hermanos. O comportamento se repete em praticamente todas as Copas do Mundo e voltou a tomar conta das redes sociais em 2026. Mas o que explica essa rivalidade que atravessa gerações?

Embora o futebol seja o principal palco dessa disputa, a história começou muito antes da bola rolar. Ainda no século XIX, Brasil e Argentina disputavam influência política e econômica na América do Sul. Um dos episódios mais marcantes foi a Guerra da Cisplatina (1825–1828), conflito envolvendo a região que hoje corresponde ao Uruguai. Com o passar dos anos, as disputas diplomáticas perderam espaço, mas ganharam um substituto à altura: o futebol.

Quando o clássico virou paixão

Dentro de campo, Brasil e Argentina construíram uma rivalidade marcada por confrontos históricos, polêmicas e provocações. Um dos primeiros capítulos aconteceu em 1946, na decisão do então Campeonato Sul-Americano. A partida terminou em confusão após uma grave lesão sofrida pelo capitão argentino José Salomón, aumentando a tensão entre as seleções.

Décadas depois, outro episódio virou assunto entre os torcedores. Na Copa do Mundo de 1990, o lateral brasileiro Branco afirmou ter passado mal após beber água oferecida pela comissão técnica argentina durante o confronto entre as seleções. Anos mais tarde, Diego Maradona revelou que a garrafa continha um sedativo, versão que nunca foi comprovada.

Mas nenhuma discussão ajudou tanto a fortalecer essa rivalidade quanto a comparação entre os maiores ídolos dos dois países.

Pelé x Maradona: um debate sem fim

Muito antes de Lionel Messi, brasileiros e argentinos já discutiam quem ocupava o topo da história do futebol. De um lado estava Pelé, tricampeão mundial com a Seleção Brasileira e considerado por muitos o maior jogador de todos os tempos. Do outro, Diego Maradona, responsável por conduzir a Argentina ao título da Copa do Mundo de 1986 e dono de uma das atuações mais marcantes da história do torneio.

Enquanto Pelé ficou conhecido pelos recordes, pelos mais de mil gols e pelos três títulos mundiais, Maradona eternizou momentos que fazem parte da memória do futebol, como o “Gol do Século” e a polêmica “Mão de Deus”, ambos contra a Inglaterra.

A comparação entre os dois ultrapassou os gramados. Ela passou a fazer parte da cultura do futebol, alimentando debates em programas esportivos, mesas de bar e redes sociais. Para muitos brasileiros, Pelé segue insuperável. Para os argentinos, ninguém supera Maradona.

Messi reacendeu a rivalidade

Durante anos, Lionel Messi conviveu com a pressão de ser comparado a Maradona. A cobrança diminuiu quando ele liderou a Argentina na conquista da Copa América de 2021, da Finalíssima de 2022 e da Copa do Mundo do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem títulos mundiais para os argentinos.

Agora, o camisa 10 volta a disputar uma final de Copa do Mundo e pode ampliar ainda mais seu legado.

Mais do que uma final

A decisão contra a Espanha vale mais do que o título mundial. Se vencer, a Argentina conquistará o quarto Mundial de sua história e ficará a apenas uma taça do Brasil, maior campeão da competição, com cinco títulos.

Esse cenário ajuda a explicar por que tantos brasileiros continuam “secando” os hermanos. A rivalidade entre os dois países vai muito além dos 90 minutos. Ela mistura história, grandes personagens, títulos, provocações e comparações que atravessam décadas.

E, enquanto houver uma bola rolando e Brasil e Argentina disputando espaço entre as maiores potências do futebol, essa rivalidade dificilmente terá um ponto final.

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