O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu nesta quinta-feira (16) as falas do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria faltado com boa-fé nas negociações em torno do tarifaço.
“As declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”, disse.
“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações.”
A fala do ministro brasileiro vem em resposta às declarações feitas nas redes sociais por Rubio. O republicano afirmou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, disse.
Na madrugada logo após o anúncio, o governo afirmou, por meio de nota, que iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, após o governo dos EUA confirmar na quarta-feira (15) a imposição de novas tarifas de importação contra o Brasil.
Na nota, o governo também afirmou que continuará a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para os produtos brasileiros, citando como exemplos os acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, diz nota do governo sobre o tarifaço, com uma manifestação de repúdio. “Não há justificativa para medidas unilaterais contra o país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, afirma a nota.
Segundo o comunicado, em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, e a alíquota média aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O governo disse ainda que não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e, mesmo assim, nunca deixou a mesa de negociação. Afirma ter demonstrado que são descabidas as alegações contra o Pix, a regulação de plataformas digitais e as acusações contra o desmatamento.
Essa nova fase de sanções econômicas foi anunciada após a conclusão da investigação da seção 301, comandada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que apurava práticas comerciais injustas no Brasil e em outros países.
MARIANA BRASIL / Folhapress


