Maria Beraldo faz da canção um lugar de liberdade no ‘Vozes da Vez’

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Num momento em que algoritmos e rótulos parecem determinar cada vez mais o que ouvimos e como nos apresentamos ao mundo, Maria Beraldo segue caminhando na direção oposta. Sua obra não busca encaixes fáceis nem respostas prontas, pelo contrário: convida à escuta atenta, ao desconforto produtivo e à beleza que nasce da experimentação.

Convidada desta semana do Vozes da Vez, programa que apresento todo sábado, às 8h, na rede Novabrasil, Maria fala sobre a liberdade de criar sem se prender às expectativas do mercado, a importância do afeto como força criativa e a música como um espaço onde diferentes formas de existir podem ser acolhidas. A conversa também passa pelo poder das palavras, pela construção da identidade e pelo pertencimento — temas que atravessam sua trajetória artística de forma delicada, mas profundamente política.

Cantora, compositora, clarinetista, produtora musical (ela assina, por exemplo, a produção do disco mais recente de Zélia Duncan, ‘Agudo Grave’) e uma das artistas mais inventivas de sua geração, Maria Beraldo construiu uma discografia que desafia fronteiras entre o popular, o erudito e a música experimental. Seus dois álbuns solo revelam uma criadora interessada menos em fórmulas do que em possibilidades, fazendo da canção um território aberto para a reflexão e para a emoção.

Ao longo da entrevista, fica evidente que sua inquietação artística não é um exercício de complexidade, mas um compromisso com a honestidade. Maria cria porque precisa compreender o mundo — e talvez ajudar o ouvinte a compreendê-lo também. Em tempos de discursos cada vez mais simplificados, sua música nos lembra que a arte também existe para ampliar perguntas, e não apenas oferecer respostas.

É justamente essa combinação de sensibilidade, inteligência e liberdade que faz de Maria Beraldo uma das vozes mais singulares da música brasileira contemporânea. E é sobre tudo isso que conversamos nesta edição do programa.

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