Voepass: relatório mostra falhas da companhia aérea, da tripulação e da fiscalização; veja as mudanças que a queda provocou em aviões do mundo todo

Relatório final divulgado nesta quinta-feira, (23), mostra que a fabricante do ATR alterou o manual de manutenção, atualizou sistemas e recebeu novas recomendações de segurança

Letícia Borges
Letícia Borges
Jornalista em formação pela PUC-Campinas, cristã e apaixonada por comunicação. Amo desenhar, assistir filmes e, ultimamente, tudo que envolve o universo dos casamentos. Filha de pais incríveis, tenho minha irmã como melhor amiga e sou noiva de um homem que admiro muito @lee_tborges
Voepass: relatório mostra falhas da companhia aérea, da tripulação e da fiscalização; veja as mudanças que a queda provocou em aviões do mundo todo

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira, (23), trouxe novos detalhes sobre a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas, em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024.

Entre as conclusões, o documento aponta que a aeronave apresentava falhas antes mesmo da decolagem e que a tripulação já tinha conhecimento de problemas no sistema responsável por impedir o acúmulo de gelo nas asas.

Segundo a investigação, o sistema de degelo funcionava de forma intermitente e já havia apresentado falhas no voo anterior, entre Guarulhos e Cascavel. Mesmo assim, o avião voltou a operar.

Em entrevista ao Balanço Geral, o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela explicou que o problema já era conhecido pelos pilotos.

“As conversas registradas na caixa-preta mostram que eles já sabiam da falha no sistema anti-gelo e discutiram alternativas para evitar a formação de gelo durante o voo”, afirmou.

Ainda de acordo com o especialista, os pilotos chegaram a comentar que uma altitude menor poderia reduzir o risco de formação de gelo nas asas. Mesmo assim, a aeronave seguiu voando na altitude em que as condições eram mais favoráveis ao acúmulo de gelo.

Para Gerardo Portela, outro ponto importante revelado pelo relatório é que o avião sequer deveria ter decolado nas condições em que estava.

“O relatório mostra falhas da companhia aérea, da tripulação e também da fiscalização. Quando vários erros acontecem ao mesmo tempo, eles acabam formando uma cadeia que pode resultar em uma tragédia como essa”, explicou.

Mudanças após o acidente

Além de apontar as causas da queda, o relatório mostra que o acidente provocou mudanças na fabricante francesa ATR.

A empresa revisou o manual de manutenção das aeronaves, alterou procedimentos para evitar erros durante a instalação de componentes e atualizou o software responsável por monitorar o desempenho do avião em condições de formação de gelo.

O Cenipa também recomendou novas mudanças, como alertas mais rigorosos para os pilotos e novos registros de dados durante o voo, para aumentar a segurança das aeronaves.

Investigação continua

O relatório do Cenipa tem caráter preventivo e não aponta responsáveis pelo acidente.

Já o inquérito conduzido pela Polícia Federal, que corre sob sigilo, continua investigando se houve crimes relacionados à queda da aeronave. A expectativa é que essa investigação seja concluída nas próximas semanas.

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