A crise migratória em Ceuta, cidade autônoma pertencente à Espanha, ganhou proporções impressionantes. Entre a última semana de julho e a primeira de agosto de 2026, 60 mil marroquinos entraram no país pelo mar. Durante as travessias, 88 pessoas morreram, segundo o governo espanhol.
Por causa dessa situação, Itália, França, Finlândia e Dinamarca anunciaram reforço de controles de fronteira e a Itália chegou a suspender temporariamente as regras do espaço Schengen, que é aberto para livre circulação para membros do bloco europeu. Em carta aos líderes do continente, o premiê espanhol Pedro Sánchez classificou a reação de alguns países como “egoísta” e afirmou que a situação já está “quase normal” no território. Segundo o governo espanhol, a maior parte dos migrantes já retornou ao Marrocos, país do norte africano.

Essa onda gigantesca de migrações começou depois de uma decisão da Suprema Corte da Espanha que proibiu que migrantes resgatados no mar em Ceuta ou Melilla sejam devolvidos aos seus países. No último dia 30 de julho, o governo espanhol acusou redes de tráfico de pessoas de aproveitar dessa decisão pra incentivar o fluxo de pessoas sem documentos.
Além disso, a situação reacende uma disputa antiga entre Espanha e Marrocos pelo Saara Ocidental, ex-colônia espanhola cuja soberania segue contestada pela Frente Polisário, apoiada pela Argélia. Rabat teria afrouxado o controle fronteiriço como resposta a um projeto de lei espanhol que concede nacionalidade a saarauís nascidos antes de 1977.
Ao mesmo tempo, a Espanha é o país europeu mais aberto à recepção de imigrantes com políticas de acolhimento, regularização e inserção no mercado de trabalho, além da garantia de direitos básicos.
No último ano, o país acolheu quase 1,3 milhão de pessoas, que buscam o território atrás de melhores condições de vida, de acordo com dados do Eurostat. O volume supera ao da Alemanha, que recebeu 1,08 milhão de imigrantes, e é três vezes maior ao que da França.
Em meio à crise de imigração, Espanha e Marrocos chegaram a um acordo pra viabilizar o retorno dos migrantes que entraram de forma irregular no território europeu de volta para o país de origem.


