Palestinos fazem funeral de 112 pessoas da mesma família mortas por ataques de Israel em 2023

Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), mais de 21 mil crianças foram mortas em Gaza desde outubro de 2023.

Foto: AP/Jehad Alshrafi / Jehad Alshrafi

Palestinos fizeram nesta terça-feira (4) um funeral coletivo para 112 pessoas de uma mesma família em Gaza, cujos corpos foram recuperados dos escombros de um prédio destruído por ataques aéreos israelenses em novembro de 2023, o segundo mês da guerra iniciada com os ataques do grupo terrorista Hamas a Israel.

A cerimônia ocorreu no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza. Os corpos, que até o mês passado ainda estavam sob escombros, foram dispostos lado a lado sobre macas em uma área aberta onde antes havia casas. Todos estavam cobertos por bandeiras da Palestina, com fotos dos mortos posicionadas por cima dos panos.

Faixas com retratos dos integrantes das famílias Abu Sharia e Al-Hassayna, que formam o clã alvo do ataque, foram penduradas no local. Um cartaz sobre o púlpito usado pelas autoridades trazia a frase “pare o genocídio em Gaza”, em inglês.

Segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza, as equipes de resgate levaram 17 dias para recuperar os corpos, trabalhando com equipamentos mínimos. As vítimas foram identificadas por colares de ouro com seus nomes, por próteses de cirurgias anteriores e por roupas reconhecidas pelos familiares.

“Estamos falando de corpos que se decompuseram e foram retirados dos escombros por equipes da Defesa Civil em circunstâncias extremamente difíceis e muito dolorosas. Mas, no fim das contas, ainda há mais de 8.000 corpos sob os escombros até este momento”,

disse.

 

Taysir Al-Hassayna, parente das vítimas, afirmou que o dia reabriu feridas da família, quase três anos após o ataque. “Isso trouxe de volta a tristeza para nossas crianças, mulheres e filhos, mas nosso consolo é acreditar que eles são mártires com Deus”, afirmou.

Ele também pediu o fim da guerra. “O povo de Gaza é um povo que ama a vida, que ama a paz e quer viver em paz como todos os outros povos do mundo. Não estamos pedindo milagres ou o impossível, estamos pedindo o que precisamos para sobreviver”, disse.

Entre os 112 corpos enterrados, 40 eram de crianças, segundo a ONG Save the Children. A organização se referiu ao funeral como um dos maiores enterros coletivos no território palestino desde o início do conflito.

Ahmad Alhendawi, diretor regional da Save the Children para Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu, afirmou que as autoridades israelenses continuam restringindo o acesso de equipes de busca e resgate, além de impedir a entrada de maquinário pesado e equipamentos forenses necessários para localizar os corpos que ainda restam sob os escombros.

“Nenhuma família deveria passar pela dor de perder um filho e, além disso, sofrer a indignidade de não conseguir enterrar seu corpo”, disse.

Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), mais de 21 mil crianças foram mortas em Gaza desde outubro de 2023.

No último domingo (2), ataques aéreos israelenses continuaram em Gaza mesmo após anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um avanço nos esforços para implementar o acordo de cessar-fogo firmado no ano passado.

 

Redação / Folhapress

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