O presidente Lula (PT) ficou no alvo de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) depois da revelação de que um de seus assessores, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O site Poder360 revelou que Ribeiro, conhecido com Marcola, recebeu pagamentos de Roberta. O assessor de Lula afirmou ter tomado um empréstimo pessoal da empresária, já quitado e sem ilegalidade.
Adversários de Lula na disputa presidencial reforçaram a estratégia que tenta associar o PT a casos de corrupção.
Flávio afirmou nas redes sociais que o episódio mostra mais um escândalo do partido.
“Mais um personagem petista no escândalo do roubo de aposentadorias, além do Careca do INSS, agora o lulismo também fabricou o Marcola do INSS, braço direito do Lula na Presidência da República”, afirmou.
O candidato do PL, que enfrentou desgaste na pré-campanha depois de revelada sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, divulgou um vídeo feito com inteligência artificial retratando o Lula, seu filho Lulinha, Roberta e Marcola, ao som da música tema de O Poderoso Chefão, filme sobre a máfia italiana.
Já Zema, ex-governador de Minas Gerais, chamou de “impressionante” o fato de notícias relacionadas a Lula, segundo o candidato, terem “alguma coisa a ser investigada por suspeita de corrupção”, em referência à notícia de que Marcola recebeu dinheiro de Roberta.
Nas redes sociais, ele também atacou o governo Lula comentando investigação de um dos filhos do presidente.
“Por incrível que pareça, o mesmo Dino que afirmou que ‘a PF está a serviço do Lula’ autorizou a abertura do 3º inquérito contra o Lulinha, o Intocável Jr. O filho do presidente teria conseguido R$ 81 milhões em contratos com o governo do próprio pai”, afirmou Zema.
Atendendo a um pedido feito pela PF, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência.
Em sabatina do site O Antagonista e da G4 nesta terça-feira (4), Ronaldo Caiado também comentou a notícia de que o ex-chefe de gabinete de Lula tomou um empréstimo de Roberta.
Segundo ele, a notícia demonstra que o escândalo se aproximou da “antessala do rei”. “É algo que mostra ainda mais o envolvimento do governo com escândalos e com corrupção. Um envolvimento direto”, afirmou.
Depois da revelação, Lula determinou que Marcola dê explicações sobre o empréstimo, como mostrou a Folha.
Segundo o assessor, o empréstimo pessoal não tem ilegalidade. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função“, afirmou em nota divulgada na segunda.
Roberta Luchsinger é empresária e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela disse à PF que apresentou Lulinha para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
A operação investiga um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. O Careca do INSS é apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias.
Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas. Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA / Folhapress

