Dois episódios de afogamento deixaram três pessoas mortas na Paraíba entre o domingo (9) e a manhã desta segunda-feira (10). As ocorrências foram registradas em um açude de Araruna, no Curimataú, e na praia de Barra de Gramame, em João Pessoa.
Em Araruna, as vítimas eram um casal identificado como Ozimere da Silva e Francisco de Assis Pinto. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, os dois morreram após uma ocorrência registrada no fim da tarde do domingo, no açude localizado no Sítio Lagoa de Serra.
De acordo com os bombeiros, Ozimere entrou na água e acabou se afogando. Durante uma tentativa de ajudá-la, uma amiga também teria entrado em situação de perigo, mas conseguiu ser resgatada com vida.
Na sequência, Francisco, marido de Ozimere, entrou no açude para tentar salvá-la, mas também acabou se afogando.
As equipes do 3º Batalhão de Bombeiro Militar (3º BBM) foram acionadas e iniciaram as buscas. O trabalho precisou ser interrompido durante a noite por causa da baixa visibilidade.
As equipes de mergulho retomaram as buscas na manhã desta segunda-feira (10) e localizaram os dois corpos submersos no açude.
Homem morre afogado em praia de João Pessoa
Na tarde de domingo (9), outro caso de afogamento terminou em morte, desta vez na praia de Barra de Gramame, em João Pessoa.
A vítima foi identificada como Doriedson Silva Santos, de 58 anos, morador de Campina Grande. De acordo com o Corpo de Bombeiros, pessoas que estavam na praia perceberam o homem boiando na água e acionaram as equipes que atuavam na região.
Os bombeiros retiraram a vítima da água e iniciaram os procedimentos de primeiros socorros. Diante da gravidade da ocorrência, foram acionados reforços, incluindo equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o helicóptero Acauã.
Apesar das tentativas de reanimação, a morte foi constatada ainda na praia.
Segundo os bombeiros, a esposa informou que o homem havia consumido bebida alcoólica durante o trajeto até a praia.
Afogamentos exigem atenção
Os casos registrados na Paraíba reforçam os riscos relacionados a banhos em açudes, rios, praias e outros ambientes aquáticos, especialmente quando há tentativa de resgate feita por pessoas sem treinamento.
Dados fornecidos pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) apontam que, a cada 100 brasileiros que morrem por afogamento, 90 óbitos acontecem antes da chegada ao hospital.
Ainda segundo o levantamento, mesmo pessoas que sabem nadar podem se afogar quando ultrapassam seus limites ou enfrentam uma redução repentina da capacidade de permanecer em segurança na água.
A Sobrasa também aponta que o risco estimado de morte por afogamento em áreas de banho sem guarda-vidas é 60 vezes maior do que em locais protegidos.
Outro dado apresentado pela entidade indica que, a cada 18 resgates realizados por guarda-vidas, apenas um necessita de atendimento hospitalar.
Tentativa de resgate pode aumentar o risco
O caso de Araruna também chama atenção para um dos principais cuidados recomendados em situações de afogamento: uma pessoa sem treinamento não deve entrar na água para tentar salvar outra vítima, pois pode acabar se tornando uma segunda vítima.
A orientação é acionar imediatamente o serviço de emergência e, quando possível, utilizar recursos que permitam ajudar a pessoa sem entrar na água, mantendo uma distância segura.
Os dados da Sobrasa mostram ainda a dimensão do problema no país. Conforme o levantamento informado, entre 1991 e 2024, foram registradas 220.752 mortes por afogamento não relacionadas a desastres no Brasil. No mesmo período, os desastres naturais e calamidades somaram 5.142 mortes.
O levantamento aponta, portanto, que o número acumulado de mortes por afogamentos cotidianos foi 43 vezes maior que o total de mortes provocadas por desastres no período analisado.
Os dois casos registrados na Paraíba serão investigados pelas autoridades competentes, conforme os procedimentos adotados em cada ocorrência.


