Patrimônio histórico de João Pessoa enfrenta deterioração e risco de desabamento

Auditoria do TCE-PB identificou imóveis abandonados, fachadas danificadas e sinais de deterioração no Varadouro e em outras áreas do Centro Histórico da capital.

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Centro Histórico de João Pessoa.
Centro Histórico de João Pessoa. Foto: Reprodução

O Centro Histórico de João Pessoa tem imóveis tombados em diferentes níveis de conservação e alguns apresentam problemas que podem comprometer tanto a segurança de quem circula pela região quanto a preservação das construções. Os dados fazem parte de uma auditoria conjunta realizada pelos Tribunais de Contas da Paraíba e de Pernambuco, com foco na situação de bens culturais tombados. O trabalho foi apresentado pelo TCE-PB em 11 de julho de 2025.

Na capital paraibana, os principais pontos de atenção estão na Cidade Baixa, que inclui o bairro do Varadouro, área ligada à origem de João Pessoa. O levantamento identificou imóveis abandonados, partes de fachadas se desprendendo, vegetação nas estruturas e sinais de deterioração prolongada.

De acordo com o diagnóstico, essas condições aumentam o risco de desabamentos e podem colocar pedestres em perigo. A falta de conservação também ameaça a manutenção das características arquitetônicas dos imóveis históricos.

A situação encontrada na Cidade Alta é diferente. Segundo o levantamento, imóveis ocupados por órgãos públicos e instituições religiosas apresentam, de maneira geral, melhores condições de conservação.

Fiscalização

O diagnóstico recomenda que os órgãos responsáveis pelo patrimônio reforcem o acompanhamento dos imóveis tombados e adotem ferramentas tecnológicas para identificar alterações nas estruturas.

Entre as sugestões estão o uso de imagens de satélite e drones, além da criação de um painel de riscos com informações atualizadas sobre a situação de cada bem.

A proposta é permitir que imóveis em situação mais crítica sejam identificados com maior rapidez e recebam medidas de conservação antes que os danos avancem.

Problemas em outras cidades

Os problemas não estão restritos a João Pessoa. A auditoria também percorreu Campina Grande, Patos, Rio Tinto e Araruna, onde foram identificadas diferentes situações de conservação e necessidades de intervenção.

Em Araruna, a Fazenda Maquiné foi classificada como estando em “estado de ruínas” e considerada um dos casos mais urgentes. Entre as medidas apontadas está o escoramento da estrutura para evitar a perda da edificação.

Em Campina Grande, o levantamento encontrou problemas em patrimônios ligados às atividades ferroviária e industrial, incluindo a antiga Estação Ferroviária e seus armazéns. Também foram registrados casos de vandalismo e descaracterização arquitetônica.

Patrimônios históricos de Rio Tinto e Patos também foram avaliados durante o trabalho.

Recomendações

Entre as medidas indicadas estão a realização de auditorias periódicas, ações de conservação preventiva, formação de equipes especializadas e ampliação da fiscalização para diferentes regiões do estado.

O diagnóstico também recomenda a criação de mecanismos para estimular proprietários de imóveis tombados a realizar a manutenção das estruturas e de canais para que a população possa comunicar danos ao patrimônio histórico.

A auditoria faz parte de uma iniciativa de controle externo voltada à preservação dos bens culturais e à identificação de riscos que possam levar à perda ou descaracterização de imóveis históricos.

Leia também:

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS