Roberta Campos levanta público do The Cavern Club SP

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Em uma noite de muita conexão e música, Roberta Campos subiu ao palco do The Cavern Club, em São Paulo, para uma apresentação que passeou por diferentes momentos de sua carreira e ainda prestou uma homenagem especial à Legião Urbana.

Pontualmente, a cantora entrou em cena descalça, mantendo um ritual que faz parte de sua relação com a música e com o palco: estar com os pés no chão como forma de conexão. A relação de Roberta com esse gesto vai além dos shows. A cantora já contou, por exemplo, que no estúdio que mantém em casa, o processo de criação também acontece com os pés descalços. Para ela, tirar os sapatos é uma maneira de estabelecer essa ligação desde os pés e transformar o espaço em uma extensão do palco.

Roberta abriu a apresentação com “Peito Aberto”, faixa do álbum Coisas de Viver, lançado em 2025. A partir dali, o repertório alternou músicas do trabalho mais recente, assim como sucessos que ajudaram a construir sua trajetória.

Antes de interpretar “Começa Tudo Outra Vez”, Roberta compartilhou uma história sobre a composição, em parceria com o amigo Humberto Gessinger. A cantora contou que os dois também se conectaram por uma curiosidade em comum: ambos são capricornianos. A lembrança trouxe ao show um momento mais íntimo, revelando ao público um pouco das histórias por trás das canções.

Roberta Campos no The Cavern Club São Paulo.

Uma homenagem a Renato Russo

Um dos momentos mais aguardados da noite veio quando Roberta Campos deixou seu repertório de lado para dedicar uma parte especial do show à Legião Urbana. Antes de começar o set, a cantora citou a influência que Renato exerceu em sua formação musical. Ao seu lado, o trio formado por João Elbert (guitarra), Jackson Lourenço (baixo), e Johnny Thunder (bateria), trouxeram para o palco a força e a levada características de Legião, dando às músicas uma sonoridade potente e muito bem executada.

A homenagem ganhou ainda mais significado neste ano, quando se completam 30 anos da morte de Renato Russo. Portanto, no The Cavern Club, a celebração foi feita em conjunto: do início ao fim do bloco dedicado à banda, o público cantou todas as músicas, transformando a apresentação em uma grande homenagem coletiva.

Um final cantado pelo público

Na reta final, Roberta voltou ao seu repertório e entregou dois de seus maiores sucessos: “De Janeiro a Janeiro” e “Minha Felicidade”. Nas duas canções, a cantora deixou que o público assumisse parte dos vocais, logo, a artista acompanhou a própria música sendo devolvida pela plateia, em um bonito coro.

O encerramento veio com “Estou em Paz”, faixa do álbum Para Aquelas Perguntas Tortas, de 2008. Mesmo em um espaço tradicionalmente marcado pelo público sentado, Roberta mudou completamente o clima do ambiente. A plateia se levantou, acompanhou a canção com palmas e aproveitou os últimos minutos da noite em um clima de celebração.

Roberta Campos para a Novabrasil.

Roberta conversou com a Novabrasil

Antes do show, a Novabrasil esteve com Roberta Campos em uma entrevista exclusiva sobre composição, processo criativo e as histórias que atravessam suas canções. Já que recentemente, a cantora disponibilizou um documentário acompanhando o processo de produção do álbum Coisas de Viver, lançado em 2025.

Confira a entrevista na íntegra:

O álbum “Coisas de Viver” nasceu de um momento mais íntimo da sua trajetória. Em que momento você percebeu que aquelas músicas já não eram apenas canções soltas, mas partes de um mesmo álbum?

“Eu senti que era o momento em que eu gostaria de cantar e contar um pouco sobre esse lugar que eu não tinha falado ainda em minhas canções, falo das minhas dores e resiliência, momentos que representam a minha vida e são muito a tradução do que eu sou. Faz parte de um lugar muito forte e que marca todo ser humano. Essas canções vieram no momento que eu já estava pronta pra dar uma aliviada, acredito que quando você fala das coisas que você sente, você acaba compartilhando com as pessoas, e como eu falo de algumas dores também, pode ser o processo de inicio de uma cura.”

Quando você está compondo, costuma seguir a emoção do momento ou existe uma parte mais racional, quase de artesã, lapidando a canção até ela dizer exatamente o que você quer?

“As composições nascem do que eu sinto, então eu normalmente deixo que elas fluam.. eu tenho músicas que faço sob encomenda, como para filmes ou séries, e ainda que essas venham também do meu interior, de coisas que eu sinto e conheço, já são um pouco mais racionais, pois preciso encaixá-las dentro de uma historia, de um video que vejo, aí preciso pensar mais um pouco. Mas as canções, como no Coisas de Viver, e as que estão presentes nos meus álbuns, são sempre sobre o que eu sentia. Até quando vou fazer musicas  com parceiros, as pessoas perguntam: “vamos falar de que?”, e eu tenho um pouco de dificuldade com isso, porque na verdade eu não escolho um tema, o tema que eu tenho pra fazer as minhas canções são realmente o que estou sentindo. As vezes, numa música minha, eu vou entender o que ela tá dizendo anos depois ou algum tempo depois…”

Com o passar dos anos, as músicas vão encontrando pessoas, assim como histórias e momentos diferentes. Existe alguma canção sua que hoje tem um significado diferente daquele que tinha quando você a escreveu?

“As musicas com o passar do tempo vão tendo outros significados porque elas passam a pertencer a outras histórias, então quando uma pessoa vem e me descreve um momento em que a minha musica faz parte, ou fez parte, ela toma um outro lugar. Então essa historia acaba se transformando e indo pra um lugar que eu não conheço, que não é aquele lugar que eu sentia ou existia em mim, quando eu escrevi. Isso tem acontecido bastante, com várias canções que eu tenho recebido relatos, que tem tomado esse caminho diferente.”

Roberta Campos no The Cavern Club São Paulo.

Por fim, entre sucessos, novas canções e uma homenagem carregada de significado, Roberta Campos fez do palco do The Cavern Club um espaço de encontro entre passado e presente. Uma noite em que as músicas falaram por si, mas também ganharam novas histórias através da voz da cantora e, principalmente, da participação de um público que cantou junto até o último acorde.

Setlist

  1. Peito Aberto
  2. Gérbera
  3. Casinha Branca
  4. Fique na Minha Vida
  5. Miragem
  6. Pro Mundo Que Virá
  7. Sinal de Fumaça
  8. Começa Tudo Outra Vez
  9. O Futuro Nos Aguarda
  10. Todo Dia
  11. Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor
  12. Rio Sem Agua
  13. Vinte e Nove
  14. Quase Sem Querer
  15. Ainda é Cedo
  16. Tempo Perdido
  17. Um Girassol da Cor do Seu Cabelo
  18. De Janeiro a Janeiro
  19. Minha Felicidade
  20. Estou em Paz

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