A morte de um bebê de apenas um mês, registrada durante o fim de semana no Distrito Industrial, em João Pessoa, chamou a atenção para os cuidados necessários durante o sono de recém-nascidos. Segundo o relato apresentado no programa, a mãe havia amamentado a criança e a colocado para dormir. Ao verificar o bebê posteriormente, percebeu que ele estava arroxeado e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A equipe realizou manobras de reanimação por cerca de 40 minutos, mas não conseguiu reverter o quadro. As circunstâncias e a causa da morte devem ser esclarecidas pelos órgãos responsáveis pela investigação.
O caso foi utilizado em uma entrevista com a neonatologista Juliana Soares para discutir medidas de prevenção de sufocamento e de mortes relacionadas ao sono de bebês.
Bebê deve dormir de barriga para cima
A especialista reforçou que o recém-nascido deve ter um espaço próprio para dormir, preferencialmente um berço localizado no quarto dos pais. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que bebês de até um ano sejam colocados para dormir de barriga para cima, em uma superfície firme, plana e não inclinada.
O berço deve permanecer livre de travesseiros, almofadas, cobertores soltos, protetores, bichos de pelúcia e outros objetos que possam aumentar o risco de sufocamento.
A orientação também vale para os momentos posteriores à amamentação. O Ministério da Saúde recomenda que o bebê permaneça em posição segura para dormir e tenha o berço ou espaço próprio próximo à cama dos pais nos primeiros meses, facilitando os cuidados durante a noite.
Cama compartilhada aumenta riscos
O cansaço durante as mamadas noturnas é uma situação comum entre mães e outros cuidadores. No entanto, dormir com o bebê na mesma cama aumenta o risco de sufocamento e outros acidentes.
A recomendação da SBP é que o bebê seja levado para a cama dos pais para ser alimentado ou confortado, mas seja colocado novamente em seu próprio espaço quando o adulto voltar a dormir. O compartilhamento do quarto, sem compartilhamento da cama, é considerado mais seguro.
A entidade também alerta que sofás e poltronas são ambientes especialmente perigosos para adormecer com o bebê.
Não é preciso ter medo de colocar o bebê de barriga para cima
Uma dúvida frequente entre famílias é se o bebê pode se engasgar caso regurgite ou vomite enquanto estiver dormindo de barriga para cima.
Segundo a SBP, essa posição é justamente a recomendada para reduzir o risco de morte súbita. A orientação é não colocar o bebê de lado ou de barriga para baixo para dormir.
Também não é recomendada a utilização de travesseiros antirrefluxo ou a inclinação improvisada do colchão. As recomendações atuais indicam que a superfície de sono deve ser firme, plana e não inclinada.
Amamentação continua sendo recomendada
O alerta sobre o sono seguro não significa que a mãe deva evitar amamentar durante a noite. O aleitamento materno é recomendado e está associado à redução do risco de morte súbita do lactente.
A principal orientação é organizar o ambiente para que, depois da mamada, o bebê possa retornar ao próprio berço. Para mães que estão muito cansadas, ter alguém por perto para ajudar nos cuidados pode reduzir a chance de que elas adormeçam involuntariamente com a criança.
Atenção aos sinais de engasgo
Durante a amamentação, alguns bebês podem apresentar tosse ou engasgo relacionado ao fluxo de leite. Nesses casos, é importante diferenciar um episódio em que a criança consegue tossir e respirar de uma obstrução grave das vias aéreas.
Quando o bebê não consegue chorar, tossir ou respirar e apresenta sinais de falta de oxigenação, é necessário iniciar as medidas de primeiros socorros apropriadas e acionar imediatamente o serviço de emergência.
Pais e cuidadores podem buscar orientação profissional e cursos de primeiros socorros para aprender as manobras adequadas para situações de engasgo em bebês.
Rede de apoio também é parte da prevenção
O caso também chama atenção para a exaustão enfrentada por mães de recém-nascidos, especialmente durante os primeiros meses, quando as mamadas são frequentes e o sono dos adultos fica fragmentado.
A recomendação é que familiares, parceiros e outras pessoas da rede de apoio participem dos cuidados sempre que possível, permitindo que a mãe tenha períodos de descanso.
A orientação, porém, não substitui o espaço seguro para o bebê dormir: o local recomendado continua sendo uma superfície própria, firme, plana e separada da cama dos adultos.


