Morte de bebê de 1 mês em João Pessoa reforça alerta sobre sono seguro após amamentação

Ao verificar o bebê posteriormente, percebeu que ele estava arroxeado e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Reprodução/ Instagram

A morte de um bebê de apenas um mês, registrada durante o fim de semana no Distrito Industrial, em João Pessoa, chamou a atenção para os cuidados necessários durante o sono de recém-nascidos. Segundo o relato apresentado no programa, a mãe havia amamentado a criança e a colocado para dormir. Ao verificar o bebê posteriormente, percebeu que ele estava arroxeado e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A equipe realizou manobras de reanimação por cerca de 40 minutos, mas não conseguiu reverter o quadro. As circunstâncias e a causa da morte devem ser esclarecidas pelos órgãos responsáveis pela investigação.

O caso foi utilizado em uma entrevista com a neonatologista Juliana Soares para discutir medidas de prevenção de sufocamento e de mortes relacionadas ao sono de bebês.

Bebê deve dormir de barriga para cima

A especialista reforçou que o recém-nascido deve ter um espaço próprio para dormir, preferencialmente um berço localizado no quarto dos pais. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que bebês de até um ano sejam colocados para dormir de barriga para cima, em uma superfície firme, plana e não inclinada.

O berço deve permanecer livre de travesseiros, almofadas, cobertores soltos, protetores, bichos de pelúcia e outros objetos que possam aumentar o risco de sufocamento.

A orientação também vale para os momentos posteriores à amamentação. O Ministério da Saúde recomenda que o bebê permaneça em posição segura para dormir e tenha o berço ou espaço próprio próximo à cama dos pais nos primeiros meses, facilitando os cuidados durante a noite.

Cama compartilhada aumenta riscos

O cansaço durante as mamadas noturnas é uma situação comum entre mães e outros cuidadores. No entanto, dormir com o bebê na mesma cama aumenta o risco de sufocamento e outros acidentes.

A recomendação da SBP é que o bebê seja levado para a cama dos pais para ser alimentado ou confortado, mas seja colocado novamente em seu próprio espaço quando o adulto voltar a dormir. O compartilhamento do quarto, sem compartilhamento da cama, é considerado mais seguro.

A entidade também alerta que sofás e poltronas são ambientes especialmente perigosos para adormecer com o bebê.

Não é preciso ter medo de colocar o bebê de barriga para cima

Uma dúvida frequente entre famílias é se o bebê pode se engasgar caso regurgite ou vomite enquanto estiver dormindo de barriga para cima.

Segundo a SBP, essa posição é justamente a recomendada para reduzir o risco de morte súbita. A orientação é não colocar o bebê de lado ou de barriga para baixo para dormir.

Também não é recomendada a utilização de travesseiros antirrefluxo ou a inclinação improvisada do colchão. As recomendações atuais indicam que a superfície de sono deve ser firme, plana e não inclinada.

Amamentação continua sendo recomendada

O alerta sobre o sono seguro não significa que a mãe deva evitar amamentar durante a noite. O aleitamento materno é recomendado e está associado à redução do risco de morte súbita do lactente.

A principal orientação é organizar o ambiente para que, depois da mamada, o bebê possa retornar ao próprio berço. Para mães que estão muito cansadas, ter alguém por perto para ajudar nos cuidados pode reduzir a chance de que elas adormeçam involuntariamente com a criança.

Atenção aos sinais de engasgo

Durante a amamentação, alguns bebês podem apresentar tosse ou engasgo relacionado ao fluxo de leite. Nesses casos, é importante diferenciar um episódio em que a criança consegue tossir e respirar de uma obstrução grave das vias aéreas.

Quando o bebê não consegue chorar, tossir ou respirar e apresenta sinais de falta de oxigenação, é necessário iniciar as medidas de primeiros socorros apropriadas e acionar imediatamente o serviço de emergência.

Pais e cuidadores podem buscar orientação profissional e cursos de primeiros socorros para aprender as manobras adequadas para situações de engasgo em bebês.

Rede de apoio também é parte da prevenção

O caso também chama atenção para a exaustão enfrentada por mães de recém-nascidos, especialmente durante os primeiros meses, quando as mamadas são frequentes e o sono dos adultos fica fragmentado.

A recomendação é que familiares, parceiros e outras pessoas da rede de apoio participem dos cuidados sempre que possível, permitindo que a mãe tenha períodos de descanso.

A orientação, porém, não substitui o espaço seguro para o bebê dormir: o local recomendado continua sendo uma superfície própria, firme, plana e separada da cama dos adultos.

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