‘Tem petróleo, mas não sabemos quanto’, diz presidente da Petrobras sobre descoberta na Foz do Amazonas

Magda Chambriard explicou que a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias.

Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil

 A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.

“Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, disse a executiva, em um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar de confirmar a presença de petróleo na região, Chambriard explicou que a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias.

Na semana passada, a empresa havia identificado a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá, a partir de perfis elétricos e indicativos nas rochas.

O processo de licenciamento do poço Morpho foi marcado por controvérsias, incluindo recomendação da área técnica do Ibama pelo arquivamento do processo.

A licença foi concedida em outubro de 2025, sob pressão do presidente Lula, às vésperas da COP30 em Belém, o que gerou críticas de organizações ambientalistas presentes ao evento, que apontam contradição com alertas científicos sobre redução do uso de combustíveis fósseis.

“Quando durante a COP demos autorização para que a Petrobras pudesse fazer a pesquisa, prometi que iria trazer a Janja ao Amapá para que ela conhecesse o que é uma sonda.”

“Era preciso que eu viesse aqui para provar algumas coisas. Primeiro, não é possível imaginar que uma empresa de petróleo possa sobreviver sem pesquisar e isso significa fazer investimento sem ter a certeza de um resultado. Foi comprovado que deu certo e vão fazer novas pesquisas, com novas tecnologias e materiais”, disse o presidente.

Lula também relembrou a história da Petrobras e sobre críticas no passado de que o Brasil não tinha petróleo para explorar. “Muita gente do Brasil tem complexo de vira-lata. Eu gosto muito de vira-latas, mas eu falo das pessoas que não se respeitam, que não gostam de fazer esforço.” O presidente também criticou governos anteriores por desinvestimentos na Petrobras

Isto aqui é o passaporte para o futuro do país”, disse o presidente, segurando um frasco com amostra de óleo. “Não estou negando a minha luta para que a gente não precise usar combustível fóssil.”

“Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% desse estado é reserva e 97% deste território está com reservas praticamente intocáveis. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este, este parecia que já estava refinado”, disse Lula.

Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, disse que trata-se de uma descoberta histórica.

“O Brasil dá um passo importantíssimo para garantir a sua soberania energética. Nenhum brasileiro pode abrir mão de sua soberania e de suas riquezas naturais para combater miséria e garantir desenvolvimento”, disse.

“O mundo inteiro sempre se conflagrou em disputas, eo Brasil demonstra com mais essa conquista que é um país que tem tudo para ser o país do desenvolvimento, da soberania e da inclusão.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP) disse que estava presente “na condição de presidente do Senado e de amapaense, que sonhou que esse dia era possível”.

“É preciso que a gente reconheça aqueles que enfrentaram causas que muitas vezes foram contestas e criticadas, não só por brasileiros que não compreendem a importância de termos soberania energética no nosso país, como aqueles de outros países que insistem em tutelar.”

A descoberta, que ainda não é comercial, pode ser um avanço na busca por reposição de reservas à medida que o pré-sal se aproxima do pico de produção, previsto para 2034-2035.

O poço está a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, onde a Petrobras é operadora com 100% de participação. O bloco foi adquirido pela estatal na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob regime de concessão.

A região é vista pela Petrobras, pelo governo e por petroleiras privadas como principal fronteira para novas descobertas no país, ajudando a compensar o declínio futuro do pré-sal.

O IBP, que representa companhias como Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, avaliou que a descoberta reforça as perspectivas do Brasil para produção de petróleo e gás e a segurança energética nacional.

O interesse na área também foi impulsionado por descobertas na Guiana, região com características geológicas similares.

O governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), agradeceu a Lula. “Enquanto muitos estão cultivando um país bipolarizado, nós, de diferentes matizes políticos, damos exemplo de uma união que constrói e que supera diferenças.”

“Fui questionado por uma licença ambiental dez dias antes da COP, mas disse que o presidente Lula estava certo, que seríamos acusados de uma fraude se a licença fosse concedida depois.”

O governo defende a exploração como forma de aproveitar as riquezas do subsolo brasileiro; na própria COP, Lula propôs, sem êxito, medidas para reduzir o consumo de fósseis.

A Petrobras já solicitou ao Ibama autorização para perfurar mais três poços na mesma área (PAD-Morpho, Manga e Crotalus), pedido que segue em análise, com o órgão solicitando mais dados, sem opor-se até o momento à extensão da exploração. A perfuração desses poços adicionais dependerá dos resultados obtidos no Morpho.

A estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no trimestre mais recente, alta de 97% ante igual período do ano anterior, o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022,.

O resultado foi impulsionado pela alta do petróleo (Brent médio de US$ 104, alta de 54,1%) após a guerra no Irã e por recorde de produção (3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14%).

A empresa anunciou distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos, dos quais R$ 6,2 bilhões cabem ao governo federal, acionista majoritário.

 

LINHA DO TEMPO

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DOUGLAS GAVRAS / Folhapress

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