Educação positiva não é dizer “sim” para tudo, explica psicopedagoga

Damaris Braz falou sobre educação positiva, limites e a importância da presença dos pais no desenvolvimento das crianças

Letícia Borges
Letícia Borges
Jornalista em formação pela PUC-Campinas, cristã e apaixonada por comunicação. Amo desenhar, assistir filmes e, ultimamente, tudo que envolve o universo dos casamentos. Filha de pais incríveis, tenho minha irmã como melhor amiga e sou noiva de um homem que admiro muito @lee_tborges
Educação positiva não é dizer “sim” para tudo, explica psicopedagoga
Fotos: Redes Sociais

Birras, desobediência e comportamentos que ultrapassam os limites têm gerado dúvidas entre muitos pais. Mas como educar uma criança sem violência e, ao mesmo tempo, deixar claro o que pode e o que não pode? O assunto foi discutido no programa Tha com Tudo com a psicopedagoga Damaris Braz.

Segundo a especialista, a presença dos pais é fundamental para o desenvolvimento da criança. Ela explicou que comportamentos como birras e mau comportamento podem ser uma forma de a criança demonstrar que precisa de ajuda.

“A criança, ela está ali pedindo, de alguma forma, um socorro.”

Durante a entrevista, Damaris também explicou que a chamada educação positiva não significa permitir tudo o que a criança quer. Segundo ela, a criança ainda está desenvolvendo seu senso moral e precisa receber orientações dos adultos.

“A criança, ela não tem ainda a formação, vamos dizer, o senso moral para decidir alguma coisa.”

Para a psicopedagoga, os pais precisam dar instruções claras e explícitas, já que a criança também aprende por meio da imitação.

Ela destacou ainda que a forma como os adultos lidam com situações de conflito influencia o comportamento dos filhos. Gritos e repreensões agressivas podem ensinar à criança que essa também é uma maneira de resolver situações.

“Se você gritar demais, se você repreender de forma muito grotesca, ela vai entender que é dessa forma que ela precisa lidar com as situações que estão inadequadas.”

Firmeza sem agressividade

Durante o programa, foram exibidos vídeos de crianças envolvidas em situações de desobediência e comportamento inadequado, como uma menina que xinga e cospe na mãe, uma criança que se recusa a colocar o cinto de segurança durante um voo e outra que derruba produtos de prateleiras de um supermercado.

Para Damaris, os pais precisam encontrar um equilíbrio entre permissividade e punições exageradas.

“A melhor maneira é você entender quem é o seu filho e ter horas de qualidade com ele.”

A especialista também orientou os pais a observar os comportamentos que costumam acontecer antes de uma crise.

“Antecipe também os momentos de crise. Porque se você conhece o seu filho, você sabe quais são os antecedentes, o que vai desencadear um comportamento explosivo.”

Quando a situação acontecer, a orientação é ser firme, mas sem deixar de demonstrar carinho e buscar entender o motivo daquele comportamento.

“Explique para o seu filho o porquê que aquele comportamento é inadequado. Pergunte para ele por que é que isso está acontecendo.”

Segundo Damaris, conversar com a criança é mais eficiente do que simplesmente esperar que ela resolva sozinha o problema.

Limites e o “não”

Outro ponto discutido foi a dificuldade de alguns pais em dizer “não” aos filhos. Para a psicopedagoga, a criança precisa aprender a lidar com a frustração.

“Você tem que saber lidar com o não. Você não precisa ter medo que seu filho não vai te amar.”

A especialista também destacou que aprender a lidar com frustrações durante a infância pode ajudar a criança em outras fases da vida, como na escola, no trabalho e nos relacionamentos.

“Se você não compreende a repreensão, você não sabe como lidar com frustração.”

Agressão não é solução

Durante a conversa, telespectadores também enviaram opiniões sobre a educação de antigamente e defenderam o uso de palmadas. Damaris, porém, afirmou que a agressividade não é uma forma adequada de educar.

“A agressão, apanhar, dói. E você não tá ganhando nada com seu filho, batendo nele, de verdade.”

Segundo ela, o resultado desse tipo de atitude é o medo.

“Só o medo. Não está ganhando. Exatamente, você tá criando medo no seu filho.”

Para a psicopedagoga, educar envolve presença, diálogo, limites e orientação, sem que os pais precisem recorrer à violência.


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