Os Estados Unidos criticaram Israel após oito ataques aéreos do governo de Benjamin Netanyahu atingirem a base militar síria de Abu al-Duhur, nesta terça-feira, 18 de agosto, perto da fronteira com a Turquia. Segundo o enviado presidencial especial norte-americano para a Síria e o Iraque, Tom Barrack, a ação representa uma “escalada desnecessária“.
Israel disse ter agido porque a Síria estaria prestes a violar um status quo de segurança ao permitir tropas turcas na base. Tanto a Turquia quanto a Síria rejeitaram as acusações.
Para o professor de relações internacionais e coordenador do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais da PUC-SP (GECI), Bruno Huberman, um ponto que pode ajudar a explicar a razão do ataque é a eleição para o próximo governo de Israel:
“O primeiro-ministro Israel, Benjamin Netanyahu, está em campanha, né? Ele não é favorito para ganhar as eleições, pelo contrário Então, ele está querendo chamar atenção, desviar atenção”.
Por um lado, Huberman explica que o atual presidente sírio em exercício, Amad Al-Shara, “é uma liderança política oriunda do fundamentalismo islâmico, que se moderou e se aliou aos Estados Unidos“. Posição que justifica a crítica a Israel, neste momento.
Por outro lado, “o governo Netanyahu busca criar um antagonismo aí para ficar justificando medidas militares de intervenção em nome da sua defesa“.
De qualquer forma, a posição norte-americana não é capaz de barrar novos avanços israelenses sobre a região:
“Isso mostra como a soberania também Síria não existe, Israel viola soberania desse país assim como quer, né, assim como a libanesa, e ninguém faz absolutamente nada“, pontua o professor.

