A dívida pública norte-americana acelerou e bateu, pela primeira vez, os US$ 40 trilhões, cerca de R$ 200 trilhões de reais. A cifra, 22 vezes maior do que a brasileira, foi impulsionada por gastos militares na guerra do Irã, cortes de impostos e devoluções tarifárias determinadas pela Suprema Corte.
Segundo o New York Times, o país deve tomar emprestadoo quase US$ 2 trilhões só em 2026, enquanto os juros pagos a investidores já respondem por quase metade do déficit atual. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que as contas caminham “na direção errada“.
Já a promessa de Donald Trump de zerar a dívida em oito anos não se concretizou: desde sua primeira eleição em 2016, o endividamento praticamente dobrou. Neste período, o Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, entregou apenas uma fração dos cortes que prometeu.
Desta forma, segundo o economista e colunista da Novabrasil, Thiago Salomão, o cenário “já preocupa e muito o mercado“, desde antes do anúncio oficial.
Ciclo vicioso
Para se ter uma ideia, do total da dívida, cerca de US$ 32 trilhões dessa dívida está nas mãos do público, investidores, fundos, governos estrangeiros. E apenas o restante é dívida intragovernamental, como reserva da previdência americana. Só que em julho, o rombo fiscal do governo foi de US$ 432 bilhões, o pior mês desde 2021.
Da mesma forma, Salomão explica que, na terça-feira, 18 de agosto, um dia antes da marca de US$ 40 trilhões de dólares vir a público, o juro do título de 30 anos do tesouro americano bateu 5,3%, o nível mais alto desde 2007.
“Ou seja, antes da grande crise financeira que assolou os Estados Unidos e afetou o mundo todo, a crise do subprime de 2008. O que que isso significa? O mercado tá dizendo, olha, para eu financiar essa sua dívida, eu quero mais retorno“, aponta o economista.
Na prática, se trata de um ciclo vicioso. Porque, como o governo americano gasta mais do que arrecada (déficit), a dívida se acumula e o mercado cobra juros mais altos para continuar financiando essa dívida. Logo, o Tesouro tenta conter recomprar títulos para segurar os juros artificialmente no curto prazo.


