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A noite foi de celebração da música brasileira no Cavern Club São Paulo, que recebeu um dos maiores nomes da MPB: Ivan Lins. Com uma carreira consolidada e cheia clássicos, o cantor, compositor e pianista encantou o público em uma apresentação cheia de emoção, talento e grandes sucessos.
Dono de uma das trajetórias mais respeitadas, Ivan iniciou sua carreira nos anos 70 e rapidamente conquistou espaço entre os grandes compositores do país. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, suas canções atravessaram gerações e ganharam interpretações de artistas nacionais e internacionais. Sua obra se destaca, por exemplo, pela sofisticação melódica, pelas letras marcantes e pela capacidade de unir diferentes estilos musicais, do samba ao jazz.
Ivan Lins; Foto: David Becker/Getty Images/Latin Grammy.
Durante o show, Ivan levou os fãs a uma verdadeira viagem por sua história musical. Acompanhado por Fernando Monteiro (guitarra), Nema Antunes (baixo), Teo Lima (bateria) e Marco Brito (teclados), Ivan fez um repertório cheio de sucessos que marcaram época. Canções como por exemplo “Madalena”, “Vitoriosa”, “Lembra de Mim”, e “Novo Tempo”, hino de esperança que segue atual e comovente mesmo após décadas de seu lançamento.
The Cavern Club São Paulo
O show aconteceu no The Cavern Club São Paulo, casa que vem se consolidando como um dos espaços mais charmosos da cena cultural paulistana. Inspirado no lendário clube de Liverpool, o local oferece uma atmosfera acolhedora, excelente acústica e programação voltada para a música de qualidade. Além de tributos internacionais, o The Cavern Club abre espaço para grandes artistas nacionais, tornando-se um importante ponto de encontro para amantes da boa música.
The Cavern Club. Foto: Divulgação.
Ivan em uma exclusiva pra Novabrasil
Antes do show, Ivan Lins falou com a Novabrasil, sobre os momentos que marcaram sua trajetória artística e refletiu sobre a longevidade de suas composições. Confira na íntegra:
Você começou sua trajetória em um período extremamente fértil da música brasileira. O que, por exemplo, aquele Brasil musical ensinou ao compositor que você se tornaria?
“Era uma época extremamente favorável para uma música brasileira mais sofisticada, uma literatura mais poética, rebuscada e intensa. A gente vivia numa ditadura, então evidentemente que todos os nossos esforços em fazer arte eram voltados para o público, para convencer, para levar mensagens, não só políticas, como também amorosas e de esperança, que eram muito importantes na época. E nessa época a gente contava com um apoio muito forte das mídias, tanto televisão como rádio, imprensa escrita e também os festivais. Nosso trabalho chegava rapidamente à casa das pessoas. A gente tinha uma vitrine para mostrar o nosso trabalho, e isso de certa forma alimentou e realimentou a nossa criatividade. Por isso, essa geração ficou tão forte, tão presente e tão conhecida no país inteiro. E essa fase, por ter sido daquela maneira, fez com que eu me construísse e me fortalecesse, conseguindo desenvolver a minha música com bastante intensidade e, portanto, ela se tornou muito sólida e muito intensa.”
Ivan também dividiu uma curiosidade sobre como ficou famoso graças a um festival:
“A Elis Regina gravou “Madalena”, por exemplo, em setembro de 1970, e logo após teve o 5º Festival Internacional, onde a minha música chegou em segundo lugar no júri oficial e em primeiro lugar no júri popular. O povo elegeu a minha música. E aí eles me viram tocar pela primeira vez. Eu apareci cantando e tocando, o Brasil inteiro me viu naquele dia. No dia seguinte eu não podia nem andar na rua, e no dia anterior eu era um total desconhecido. Todo mundo achava que “Madalena” era da Elis, não sabiam quem era o compositor.”
Você construiu uma carreira repleta de obras que atravessam gerações. No entanto, qual você acredita ser o segredo para uma canção continuar fazendo sentido décadas depois de ter sido composta?
“Essas canções todas fizeram história, contando uma época que foi vivida intensamente, que era a época da ditadura e, logo depois, da redemocratização do país. Então o público estava ávido para ouvir coisas novas e consumir coisas novas. Essas músicas foram passando por gerações e foram ficando, porque têm muita substância, são muito intensas e bem feitas. Historicamente, as pessoas reconhecem que essas canções contam a história do Brasil e, mesmo não tendo vivido aquela época, conseguem ter uma noção do que estava acontecendo no país no período em que elas foram compostas.”
Ivan Lins. Foto: Divulgação.
Sambadouro
O entusiasmo demonstrado no palco também reflete o momento atual da carreira de Ivan Lins. Aos 80 anos, o artista trabalha “Sambadouro”, álbum lançado pelo Selo Sesc que revisita sua obra sob a ótica do samba, reunindo canções consagradas, uma faixa inédita e participações especiais de nomes como por exemplo, Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem, Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda.
O lançamento de “Sambadouro” será celebrado em grande estilo nos dias 29 e 30 de agosto, com apresentações especiais no Sesc Pinheiros, em São Paulo.
Capa de Sambadouro, de Ivan Lins.
Mais do que um novo projeto, o disco simboliza a permanente inquietação artística de um compositor que nunca deixou de criar. Com mais de cinco décadas de trajetória, reconhecimento internacional e múltiplas premiações, Ivan segue produzindo com a mesma dedicação e excelência que marcaram sua história, e além disso, reafirmando sua importância para a música brasileira e provando que sua criatividade permanece tão viva quanto as canções que atravessam gerações.