Pessoas em tratamento contra o câncer têm uma probabilidade maior de desenvolver trombose, uma complicação causada pela formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos. A cirurgiã vascular Andréa Klepacz explica que esse risco precisa ser considerado desde o diagnóstico, porque pode aumentar ao longo da jornada oncológica, principalmente em momentos como internações, cirurgias e sessões de quimioterapia.
A trombose acontece com mais frequência nas veias profundas das pernas, quadro conhecido como trombose venosa profunda. O problema se torna ainda mais perigoso quando o coágulo se desloca e alcança os pulmões, provocando uma embolia pulmonar, situação que pode ser grave e até fatal.
O risco elevado não tem uma única causa. Além do impacto do próprio tumor no organismo, fatores comuns ao tratamento também pesam na balança: procedimentos cirúrgicos, uso de cateteres, internações e períodos de imobilidade contribuem para deixar o sangue mais propenso a coagular.
“O câncer pode ativar mecanismos inflamatórios e pró-coagulantes, criando um estado em que o organismo tem mais tendência a formar trombos”, afirma Andréa Klepacz.
Por que alguns tipos de câncer preocupam mais
A chance de trombose não é igual para todos os pacientes. Ela varia conforme o tipo de tumor, o estágio da doença, o tratamento indicado e as condições individuais de cada pessoa.
Entre os cânceres mais associados a eventos trombóticos estão os de pâncreas, estômago, pulmão, ovário e cérebro. Além disso, pacientes que passam por quimioterapia ou por cirurgias oncológicas entram em uma faixa de atenção especial, porque esses períodos costumam elevar o risco de complicações vasculares.
Prevenção pode ser parte do cuidado
Apesar de ser uma complicação temida, a trombose nem sempre é um evento imprevisível. Em muitos casos, é possível identificar quem tem maior risco e adotar medidas para reduzir a chance de coágulos.
Entre as principais estratégias estão a avaliação clínica desde o diagnóstico e ações práticas no dia a dia do tratamento, como manter a hidratação e estimular a mobilidade sempre que for seguro. Em ambiente hospitalar e em pacientes selecionados, também podem ser usados recursos como meias de compressão e dispositivos de compressão pneumática intermitente. Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos anticoagulantes de forma preventiva.
A indicação, porém, não é automática. “A prevenção precisa ser individualizada, porque é necessário equilibrar o risco de trombose com o risco de sangramentos”, destaca a cirurgiã vascular. Por isso, o acompanhamento integrado entre oncologia, clínica e especialistas vasculares é apontado como essencial na condução do caso.
Sintomas que pedem avaliação imediata
Conhecer os sinais de alerta é uma forma de ganhar tempo e reduzir complicações. Dor ou inchaço em apenas uma perna, vermelhidão, aumento de temperatura no local e sensação de peso podem indicar trombose venosa profunda.
Em pacientes que usam cateter para quimioterapia, esses sinais também podem surgir nos braços. Já sintomas como falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, palpitações ou desmaio podem sugerir embolia pulmonar e exigem atendimento imediato.
Durante o tratamento oncológico, sintomas novos não devem ser minimizados. Quanto mais cedo a trombose é reconhecida, maiores as chances de tratar o problema com eficácia e evitar desfechos graves.
Para Andréa Klepacz, cuidar do câncer também significa antecipar riscos que podem acompanhar a doença e o tratamento. “A trombose é um risco silencioso e precisa estar no radar desde o início”, alerta.


