Dolly Parton: lenda da música country, morre nos EUA aos 80 anos

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Existem artistas que fazem sucesso. Outros atravessam gerações. E existem aqueles que conseguem transformar a própria história em parte da cultura de um país. Dolly Parton pertence a essa última categoria.

A cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, deixando uma das trajetórias mais impressionantes da música americana. A notícia foi confirmada pela família nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.

Dolly não foi apenas uma estrela do country. Ao longo de mais de seis décadas, ela transformou histórias de amor, pobreza, ciúme, trabalho, família e fé em algumas das canções mais conhecidas da música popular. E fez isso sem jamais esconder de onde veio.

Nascida em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, Dolly cresceu em uma família muito pobre, ao lado de 11 irmãos. A infância em uma pequena comunidade rural, marcada pela religiosidade e pelas dificuldades financeiras, se tornaria uma das grandes fontes de inspiração para sua música. A própria história da artista parece saída de uma de suas canções.

Ainda criança, Dolly já cantava em programas de rádio e televisão locais. Aos 13 anos, fez sua primeira apresentação no Grand Ole Opry, um dos palcos mais importantes da música country, em Nashville. O início profissional veio cedo e, em 1964, depois de terminar o ensino médio, ela se mudou para Nashville para tentar construir uma carreira na música. Foi ali que começou uma trajetória que mudaria para sempre o country.

“Jolene” e o nascimento de uma personagem inesquecível

Em 1973, Dolly lançou uma das músicas mais famosas de sua carreira.

“Jolene” contava a história de uma mulher desesperada diante da possibilidade de perder o marido para outra mulher. A canção era simples na estrutura, mas carregava uma tensão emocional enorme.

Dolly não precisava de uma longa explicação.

Bastava um pedido.

A música se tornou um clássico do country e, décadas depois, continuou sendo descoberta por novas gerações. Entre as artistas que revisitaram a canção está Beyoncé, que incluiu sua própria versão no álbum “Cowboy Carter”.

“Jolene” acabou se tornando muito maior do que um sucesso de rádio. A personagem que dá nome à música entrou para o imaginário da cultura popular.

A história de amor que Dolly escreveu e Whitney Houston transformou em fenômeno mundial

Se “Jolene” apresentou ao mundo uma das maiores compositoras do country, “I Will Always Love You” mostrou que Dolly Parton também era capaz de criar uma canção capaz de atravessar qualquer fronteira musical.

A música foi escrita por Dolly como uma despedida de Porter Wagoner, seu parceiro profissional, quando decidiu seguir carreira solo. A composição chegou ao topo das paradas country em 1974.

Mas a história ainda estava longe de terminar.

Em 1992, Whitney Houston gravou a música para o filme “O Guarda-Costas” e transformou a composição em um fenômeno mundial.

A versão de Whitney se tornou uma das baladas mais famosas da história da música pop. Mas por trás daquele sucesso gigantesco estava a caneta de Dolly Parton.

Era mais uma demonstração de sua capacidade de escrever músicas que podiam sobreviver independentemente do gênero.

Do country para Hollywood

Dolly também mostrou que não precisava ficar restrita à música. Em 1980, estreou no cinema em “Como Eliminar Seu Chefe”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. A atuação lhe rendeu uma indicação ao Oscar pela canção “9 to 5”, escrita para o filme.

O sucesso ajudou a transformar Dolly em uma personalidade ainda maior. Ela passou a ocupar espaços diferentes da indústria do entretenimento sem abandonar suas raízes. Vieram outros filmes, entre eles “Flores de Aço”, e novas experiências na televisão e na música. Sua carreira passou a ser impossível de definir por uma única profissão.

Dolly era cantora.

Compositora.

Atriz.

Empresária.

E, cada vez mais, uma das figuras públicas mais reconhecidas dos Estados Unidos.

Uma artista que conseguiu unir gerações

Dolly Parton recebeu 11 prêmios Grammy, incluindo uma homenagem pelo conjunto da carreira, e entrou tanto no Country Music Hall of Fame quanto no Rock & Roll Hall of Fame.

Ao longo dos anos, também colaborou com artistas de diferentes gerações e estilos.

Sua relação com Miley Cyrus é um dos exemplos mais conhecidos. Dolly era madrinha da cantora e participou de projetos musicais ao lado dela, mostrando que sua influência não havia ficado presa ao country de décadas passadas.

Essa capacidade de permanecer relevante talvez seja uma das maiores provas de sua importância.

Dolly nunca precisou abandonar suas raízes para conversar com novas gerações.

Ela simplesmente continuou sendo Dolly.

O fim de uma trajetória extraordinária

Dolly Parton passou os últimos anos enfrentando problemas de saúde e reduzindo alguns compromissos profissionais. Pouco antes de sua morte, ainda falava sobre planos e coisas que gostaria de realizar.

Sua morte encerra uma das carreiras mais longas e influentes da música popular americana.

Mas existe algo curioso na história de Dolly. Ela começou em uma casa simples do Tennessee, em uma família numerosa e sem dinheiro, e terminou sua trajetória como uma artista conhecida no mundo inteiro.

Escreveu milhares de músicas. Criou personagens que ficaram na memória. Vendeu milhões de discos. Foi para o cinema. Construiu um parque. Distribuiu livros para crianças. Ajudou pesquisas científicas. E, principalmente, transformou sua própria vida em música.

Talvez seja por isso que a despedida de Dolly Parton seja tão difícil de resumir. Porque não estamos falando apenas da morte de uma cantora country. Estamos falando do fim de uma personagem que se tornou parte da cultura mundial — e de uma compositora cuja voz pode até se calar, mas cujas histórias continuarão sendo cantadas.

De “Jolene” a “I Will Always Love You”, Dolly Parton deixou uma obra que não pertence mais apenas a ela. Pertence ao mundo.

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