8 artistas que começaram em bandas e depois fizeram história em carreira solo

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Antes de ouvirmos seus nomes no rádio, muitos dos grandes artistas brasileiros aprenderam a dividir os holofotes.

Alguns começaram em bandas de rock. Outros passaram por conjuntos, grupos vocais, trios e projetos que hoje são lembrados apenas pelos fãs mais atentos. Depois, quando seguiram sozinhos, construíram carreiras que se tornaram fundamentais para entender a música brasileira.

E existe um detalhe que torna essas histórias ainda mais interessantes: em vários casos, a carreira solo ficou tão conhecida que a banda de origem acabou virando uma curiosidade na biografia do artista.

1. Rita Lee — Os Mutantes

Antes de se tornar uma das maiores estrelas da música brasileira, Rita Lee foi uma das figuras centrais de Os Mutantes.

A banda foi fundamental para a Tropicália e ajudou a aproximar rock, psicodelia e música brasileira. Rita participou de uma fase decisiva do grupo antes de começar uma trajetória que ganharia uma identidade cada vez mais própria.

Na carreira solo, ela encontrou espaço para explorar rock, pop, humor, sensualidade e irreverência.

“Mania de Você”, “Ovelha Negra” e “Lança Perfume” são apenas alguns dos sucessos que ajudaram a transformar Rita em um nome que atravessou gerações.

Ela saiu de uma das bandas mais revolucionárias do país e se tornou uma das maiores estrelas da música brasileira.

Banda “Os Mutantes” era formado por

2. Ney Matogrosso — Secos & Molhados

A história de Ney Matogrosso começou a ganhar projeção nacional com os Secos & Molhados.

O grupo combinava rock, poesia, teatralidade e uma estética completamente diferente do que predominava na música brasileira daquele período.

Quando partiu para a carreira solo, Ney não abandonou essa ousadia.

Pelo contrário: transformou sua presença de palco, sua voz e sua liberdade artística em uma das identidades mais marcantes da música brasileira.

Sua carreira solo mostrou que era possível transformar uma apresentação musical em espetáculo.

Foto: Divulgação.

3. Lulu Santos — Vímana

Antes dos grandes sucessos que fizeram de Lulu Santos um dos nomes mais importantes do pop brasileiro, o músico passou pelo Vímana.

A banda também contou com outros nomes importantes do rock nacional, mas Lulu seguiria uma trajetória própria.

Na carreira solo, misturou rock, pop, música brasileira e novas tecnologias de produção.

“Tempos Modernos”, “Como Uma Onda” e “Toda Forma de Amor” ajudaram a estabelecer sua assinatura.

Lulu deixou de ser apenas integrante de uma banda para se tornar uma das vozes mais reconhecíveis do pop nacional.

Foto: Divulgação.

4. Nando Reis — Titãs

Nando Reis foi integrante dos Titãs por muitos anos e participou de uma das fases mais importantes da banda.

Mas sua carreira como compositor já apontava para algo maior.

Fora dos Titãs, Nando encontrou espaço para explorar um repertório mais pessoal e consolidou uma trajetória solo marcada por canções como “Por Onde Andei”, “All Star” e “Relicário”.

Além disso, suas composições continuaram sendo gravadas por grandes intérpretes.

A carreira solo confirmou algo que já estava presente nos Titãs: Nando Reis tinha uma obra própria para construir.

titãs
Nando Reis é o 3º da esquerda para a direita de óculos de grau no meio de Sérgio Britto e Paulo Miklos. Foto: Divulgação.

5. Frejat — Barão Vermelho

Frejat foi um dos nomes fundamentais da história do Barão Vermelho e um de seus principais compositores.

Quando investiu na carreira solo, encontrou espaço para explorar outras possibilidades sem abandonar o rock que marcou sua trajetória.

“Segredos” se tornou um de seus grandes sucessos e mostrou que o músico poderia construir uma identidade própria fora da banda.

Sua história é também a de um compositor que conseguiu atravessar diferentes fases da música brasileira sem perder sua assinatura.

Da esquerda para a direita: Maurício Barros, Dé Palmeira, Cazuza, Frejat e Guto Goffi. Foto: Reprodução.

6. Pepeu Gomes — Novos Baianos

Pepeu Gomes foi um dos grandes instrumentistas dos Novos Baianos, grupo que misturou rock, samba, choro, frevo e outros elementos da música brasileira.

Depois, construiu uma carreira solo em que sua guitarra ganhou ainda mais protagonismo.

Sua trajetória ajudou a mostrar que a guitarra elétrica poderia dialogar profundamente com ritmos brasileiros.

Pepeu não abandonou suas raízes.

Levou os Novos Baianos consigo para uma carreira instrumental cada vez mais própria.

Foto: Divulgação.

7. Zé Ramalho — Os Quatro Loucos

Antes de sua carreira solo, Zé Ramalho passou pelo grupo Os Quatro Loucos, no início de sua trajetória musical.

A experiência aconteceu antes de o artista desenvolver completamente a mistura que se tornaria sua assinatura: rock, repente, literatura, psicodelia e música nordestina.

Depois, sua carreira solo produziu clássicos como “Avôhai”, “Chão de Giz” e “Admirável Gado Novo”. Zé Ramalho encontrou uma maneira única de unir tradição e experimentação.

Em pé, da esquerda para à direita: Zé Ramalho, Diágoras Júnior e Floriano Miranda; na frente, Golinha Miranda. Foto de Ivete Ramalho.

8. Ed Motta — Conexão Japeri

Antes de se consolidar como artista solo, Ed Motta ganhou projeção com a banda Conexão Japeri.

O grupo ajudou a apresentar ao público uma sonoridade influenciada por soul, funk, rock e música brasileira.

Depois, Ed construiu uma carreira individual marcada por sofisticação musical, forte influência internacional e grande domínio vocal.

A trajetória mostrou que havia espaço para uma música brasileira pop que também valorizasse arranjos complexos e referências diversas.

Foto: Divulgação.

Quando a banda vira apenas o primeiro capítulo

Existe algo fascinante nessas histórias.

Uma banda ensina o artista a dividir espaço. A carreira solo exige que ele descubra qual é a sua própria voz.

E não existe uma única fórmula.

Rita Lee transformou o rock em pop. Ney Matogrosso levou a teatralidade para outro nível. Pepeu Gomes colocou a guitarra em diálogo com ritmos brasileiros. Moraes Moreira mergulhou nas tradições nordestinas. Arnaldo Antunes aproximou poesia e música. Beto Guedes levou o espírito do Clube da Esquina para uma obra particular.

São artistas diferentes, caminhos diferentes e épocas diferentes.

Mas todos têm algo em comum:

antes de fazer história com o próprio nome, eles aprenderam a fazer música junto com outras pessoas.

E talvez seja justamente essa experiência que tenha ajudado cada um deles a descobrir o caminho que queria seguir.

Qual desses artistas você não sabia que tinha começado em uma banda?

E essa lista ainda poderia crescer bastante. Milton Nascimento, Erasmo Carlos, Roberto Frejat, Zélia Duncan, Marina Lima, Adriana Calcanhotto e outros grandes nomes também têm histórias interessantes envolvendo grupos, projetos coletivos e os primeiros passos antes da carreira solo.

Porque, na música brasileira, muitas vezes a história começa em uma banda.

Mas é quando o artista encontra a própria voz que ela ganha outro capítulo.

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